Política monetária

Ata: Copom considera último corte na Selic de até 0,75 ponto percentual na próxima reunião

A expectativa do Banco Central é de uma forte queda no PIB na primeira metade do ano

Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, dá entrevista a jornalistas
Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central (Raphael Ribeiro/ BCB)

O Banco Central divulgou na manhã desta terça-feira (12) a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em que foi decidido um corte de 0,75 ponto percentual na Selic, a 3%, em meio à pandemia do coronavírus.

A ata destacou que a conjuntura prescreve estímulo extraordinariamente elevado e que o BC considera um último ajuste para a próxima reunião, destacando que o corte também está condicionado ao fiscal. De acordo com o documento, o próximo ajuste não será maior do que o atual.

A expectativa do Banco Central é de uma forte queda no PIB na primeira metade do ano por conta dos efeitos da pandemia, com recuperação gradual começando no terceiro trimestre.

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O Copom reconhece que, neste momento, o choque desinflacionário de demanda, ainda que associado a maior
fragilidade fiscal, iniciou um processo de revisão para baixo nas expectativas de inflação, para níveis não compatíveis com as metas, em particular para o horizonte relevante da política monetária.

O Comitê ainda “discutiu a potencial existência de um limite efetivo mínimo para a taxa básica de juros brasileira”, na reunião que decidiu pelo corte. Segundo o documento, o Brasil já estaria próximo do nível em que reduções adicionais “poderiam ser acompanhadas de instabilidade nos mercados financeiros e nos preços de ativos”, segundo o parágrafo 15.

“O Comitê como um todo reconheceu a importância de gradualismo na condução da política monetária para avaliação da resposta dos preços de ativos financeiros”, destaca o documento.

A maioria dos membros do Copom ponderou que o limite no Brasil “seria significativamente maior em economias emergentes do que em países desenvolvidos, devido à presença de um prêmio de risco”.

Foi ressaltado que esse prêmio tende a ser maior no Brasil, dadas a sua relativa fragilidade fiscal e as incertezas quanto à sua trajetória fiscal prospectiva. Um membro argumentou que, em princípio, não há razão para a
existência de tal limite mínimo operacional. Os tradicionais canais da política monetária continuariam
operantes, sem descontinuidades, embora, possivelmente, com um aumento do efeito de variações da taxa de juros básica sobre os preços de ativos financeiros.

“Para o Copom, a interação da deterioração do cenário externo com frustrações em relação à continuidade das reformas e possíveis alterações de caráter permanente no processo de ajuste das contas públicas pode ameaçar o processo de queda dos juros estruturais”, diz no parágrafo 16.

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(Com Bloomberg)

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