Corrida pela imunização

Após pausa na vacina de Oxford, Doria diz que 5 mil já testaram a chinesa CoronaVac, sem reações adversas

Diretor do Butantan defendeu que a vacina chinesa é promissora e que 46 milhões de doses estarão disponíveis em dezembro no Brasil

João Doria (PSDB), governador do estado de São Paulo, segura uma embalagem da vacina contra a covid-19 desenvolvida em parceria com o Instituto Butantan
(Reprodução/Governo do Estado de São Paulo)
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SÃO PAULO – Com o recente anúncio da suspensão de testes da vacina da farmacêutica AstraZeneca, por conta de uma possível reação adversa em um dos voluntários, João Doria (PSDB), governador de São Paulo, afirmou que nenhum problema foi encontrado com a vacina chinesa CoronaVac, que está sendo desenvolvida pela farmacêutica Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan.

“Temos mais de 9 mil voluntários, em 12 centros de pesquisas diferentes pelo Brasil. Todos médicos e paramédicos. Desses, dos 5 mil que já receberam a vacina, nenhum deles apresentou qualquer reação adversa grave”, disse o governador em coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (09).

Já Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan, afirmou hoje que a instituição prevê o início da análise dos resultados da fase três de testes da CoronaVac para o mês que vem, no dia 15 de outubro. Segundo o diretor, até o final deste mês todos os 9 mil voluntários já serão vacinados.

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Vale lembrar que a fase três é a última fase de testes clínicos, quando a vacina é aplicada em milhares de voluntários. É também a última etapa antes da aprovação da vacina (entenda as fases).

“Havendo eficácia, a vacina poderá ser registrada na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e, na sequência, disponibilizada ao Ministério da Saúde. Em dezembro, o Butantan terá 46 milhões de doses disponíveis para o Ministério da Saúde. Então é, sim, muito promissor”, disse o diretor.

Covas ainda explicou que, após a disponibilização das doses pelo Instituto Butantan, o Ministério da Saúde torna-se responsável pela definição da estratégia de vacinação e de quais grupos serão priorizados nessa primeira etapa.

“Estamos cuidando da nossa velocidade. Teremos condições de oferecer, até maio do ano que vem, cerca de 100 milhões de doses. Frisando: isso não é uma corrida por uma vacina, é uma corrida para proteger a população”, disse o diretor.

Retomada das obras do Rodoanel

Doria ainda anunciou a publicação do edital de licitação para a retomada das obras do trecho Norte do Rodoanel Mário Covas, cuja previsão inicial de conclusão era em 2016 e está com as obras paralisadas desde 2018.

Segundo o governador, o edital será publicado no Diário Oficial do estado nesta quinta-feira (10) e prevê investimento de R$ 1,6 bilhão.

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“A retomada das obras do Rodoanel, depois de vários anos de obras paralisadas, vai gerar 12 mil novos empregos em São Paulo, em um investimento de R$ 1,6 bilhão”, disse Doria na coletiva. Ainda segundo o governador, a previsão é de que as obras sejam retomadas em fevereiro de 2021, com término previsto para 2023.

Economia de São Paulo no patamar pré-pandemia

Na mesma coletiva, Henrique Meirelles, secretário da Fazenda e do Planejamento do Estado de São Paulo, afirmou que, passados os maiores baques da crise causada pelo novo coronavírus, a recuperação da economia paulista já faz o Produto Interno Bruto (PIB) do estado se aproximar do nível pré-pandemia.

“Caímos muito em pouco tempo neste ano, mas vemos uma recuperação. Em abril, tivemos uma queda de 10% do PIB, mas a partir do mês de maio começamos a ver uma real recuperação. Em resumo, o estado está se recuperando de maneira positiva. Estamos em 99,7% do que éramos pré-pandemia”, afirmou Meirelles durante entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes, na capital paulista.

Os dados do desempenho econômico do estado, apresentados por Meirelles, são do indicador PIB+30, da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Senade). O indicador é feito a partir do cálculo do PIB do estado de São Paulo e dos municípios (que são feitos em conjunto com o IBGE); e o sistema de estatísticas conjunturais, composto pelo PIB trimestral (estado de SP e Regiões) e mensal (estado de SP).

Em julho, segundo o secretário, o crescimento da economia do estado foi de 2,1% ante o mês anterior, abaixo do avanço de 4,5% em maio e de 5,5% em junho.

Segundo Meirelles, no acumulado de 12 meses, entre agosto de 2019 e julho de 2020, a economia paulista avançou 0,4% sobre os 12 meses anteriores, agosto de 2018 e julho de 2019.

“Isso demonstra a forte resiliência da economia do estado. Nossa economia teve um crescimento muito acelerado em 2019, mas já estamos novamente vemos essa retomada do crescimento acelerado”, disse o secretário.

Outro dado divulgado foi a criação de novas vagas de emprego no estado. Segundo Patricia Ellen, secretária de Desenvolvimento Econômico, julho foi o primeiro mês com saldo líquido positivo de empregos gerados desde o início da pandemia em março. No período, foram criados 22.967 postos novos de trabalho no estado.

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“Nós vimos, em 2019, como o Estado de São Paulo foi a força motriz do crescimento brasileiro, e mais do que nunca precisamos que São Paulo mantenha essa papel de protagonismo”, disse a secretária durante a coletiva.

Outro indicador apresentado mostrou a abertura de empresas registradas na junta comercial do estado. Segundo a secretária, em agosto, foram registradas 22.825 novas empresas, recorde da série histórica.

“Foi o maior número registrado em 22 anos. Isso indica uma retomada importante de micro e pequenas empresas que empregam pessoas. É muito importante essa dedicação de priorizar iniciativas que gerem emprego e renda”, explicou a secretária.

Reportagem publicada anteriormente pelo InfoMoney mostra que houve também aumento abertura de micro e pequenas empresas em nível nacional, mas economistas explicam que esse movimento pode ter sido impulsionado pelo aumento do desemprego. Com as demissões e perda de renda provocadas pela pandemia, brasileiros buscaram o empreendedorismo como alternativa para se manter financeiramente durante a crise.

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