Proptech

Yuca: startup de aluguel descomplicado recebe aporte de R$ 56 milhões

Investimento irá para contratações, tecnologia, expansão de unidades sob gestão e lançamento de novo fundo imobiliário (FII)

Rafael Steinbruch, Eduardo Campos e Paulo Bichucher, cofundadores da Yuca (Divulgação)
Rafael Steinbruch, Eduardo Campos e Paulo Bichucher, cofundadores da Yuca (Divulgação)

SÃO PAULO – Existe um desequilíbrio no mercado imobiliário da cidade de São Paulo: a oferta nas regiões centrais é por imóveis de grandes metragens, mas quem mora na capital paulista pede propriedades menores e que pesem menos no bolso, além de permitirem locações mais descomplicadas.

Essa é a proposta da Yuca, que levou companhia a administrar 500 unidades residenciais, com valor total estimado em R$ 150 milhões. A proptech, ou startup de propriedades, ganhou um novo impulso nesta terça-feira (22). Ela anunciou a captação de um investimento de US$ 10 milhões (R$ 56 milhões na cotação da data do aporte).

O Do Zero Ao Topo, marca de empreendedorismo do InfoMoney, conversou com o cofundador Eduardo Campos sobre os planos após o aporte série A. Para aumentar o número de unidades sob gestão, a proptech ampliará o atendimento a quem quer morar sozinho ou em casal — inclusive por meio de edifícios próprios.

Do coliving ao aluguel descomplicado

A Yuca foi fundada pelos empreendedores Eduardo Campos, Paulo Bichucher e Rafael Steinbruch em julho de 2019.

A startup nasceu com a proposta de fornecer moradias compartilhadas, ou colivings. A Yuca reforma apartamentos com grandes metragens na cidade de São Paulo e loca cada quarto para um morador. Sala e cozinha são compartilhadas, enquanto o uso dos banheiros pode ser tanto individual quanto compartilhado.

Recentemente, a Yuca também expandiu sua proposta para quem mora sozinho ou em casal. Nesse caso, a startup reforma apartamentos de menor metragem. Essa frente já responde por 30% das locações na Yuca.

Como diferencial para outras plataformas digitais de aluguel, a Yuca defende conveniência e tecnologia. Todos os apartamentos são mobiliados e contam com um boleto único por morador que já inclui condomínio, IPTU, água, luz, internet, gás e limpeza semanal. A Yuca também fornece atendimento e suporte para a locação, incluindo eventuais consertos. Os aluguéis não pedem seguro fiança e os contratos começam em seis meses.

Rafael Steinbruch, Eduardo Campos e Paulo Bichucher, cofundadores da Yuca (Divulgação)
Rafael Steinbruch, Eduardo Campos e Paulo Bichucher, cofundadores da Yuca (Divulgação)

A ocupação na Yuca está na faixa dos 90%. A startup tem 500 unidades sob gestão, com valor estimado em R$ 150 milhões.

Durante parte da pandemia, a ocupação da Yuca baixou para 80%. Rafael Steinbruch, em entrevista anterior ao Do Zero Ao Topo, que a crise na saúde pode até ter provocado uma queda na ocupação, mas trouxe efeitos duradouros para a valorização de espaços acessíveis no bolso e amplos em espaço. “As pessoas passam mais tempo em casa.

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Quem estava em unidades muito pequenas quis mais ambientes, e o coliving surgiu como opção econômica. Essa procura deve continuar depois da pandemia, porque o trabalho flexível virou realidade.”

Novo investimento e expansão

O investimento série A de US$ 10 milhões foi liderado pela Monashees. O fundo de venture capital brasileiro já investiu em negócios como as startups bilionárias 99, Loggi e Rappi. Também participaram da rodada os fundos Terracota Ventures e ONEVC e a empresa do setor imobiliário Tishman Speyer.

“A Monashees é um fundo top of mind quando pensamos na América Latina, com um conhecimento profundo em negócios B2C [que atendem o consumidor final]. O ONEVC entende bem o momento inicial de uma startup. Semanalmente recorremos a eles para uma ajuda com contratação ou com marketing digital, por exemplo”, diz Campos. Já tanto a Terracota Ventures quanto a Tishman Speyer entram com a experiência no mercado de propriedades.

A Yuca levanta três bandeiras: ser multiproduto, ser tecnológica e ser institucional.

A diversidade de produtos na startup significa ir da moradia compartilhada aos apartamentos individuais (alugados por um solteiro ou por um casal). A Yuca está firmando parcerias com incorporadoras para gerir unidades residenciais com foco em locação. “As incorporadoras cada vez mais pensam nos seus imóveis não apenas como compra ou venda, mas como ativos que geram renda em médio e longo prazo. Para o usuário, é uma moradia mais flexível em custo e uso”, diz Campos.

A startup também olha para prédios comerciais e hoteleiros em áreas com maior potencial para residências. “Um dos desafios do mercado imobiliário é que o estoque não se renova e adapta na mesma velocidade das vontades do consumidor. A pandemia colocou um holofote na necessidade de reimaginar os ativos imobiliários. Existem hotéis e prédios comerciais em localizações onde não faz mais sentido. Podemos transformá-los em prédios mistos, por exemplo, já que trabalhar de casa já virou realidade”, diz Campos.

No extremo, a Yuca está construindo os próprios edifícios. A startup já inaugurou seu primeiro prédio, localizado na Vila Mariana.

Já ser uma empresa tecnológica significa usar a tecnologia para ganhar escala. A startup está desenvolvendo os próprios sistemas de gestão de comunidade e de pagamento, por exemplo.

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“Estamos construindo uma espécie de cérebro, que enxergue nossos ativos imobiliários da aquisição até entrada e saída de moradores”, diz Campos.

Ser institucional significa tornar-se uma marca de confiança e receber mais recursos para gerir. A Yuca já fez campanhas de crowdfunding e lançou um fundo imobiliário (FII).

O YUFI11 captou R$ 40 milhões em novembro de 2020. Em entrevista anterior ao Do Zero Ao Topo, a Yuca informou que todos esses recursos já foram alocados e o fundo projeta um yield entre 8,5% e 9% ao ano. Os recursos foram divididos entre apartamentos compartilhados e os R$ 12 milhões para o edifício na Vila Mariana.

Esse FII é voltado a investidores institucionais. A Yuca trabalha com agentes autônomos de investimento para distribuir o fundo. A startup pretende lançar outro fundo imobiliário em 12 meses, voltado a investidores de varejo, por meio de uma oferta pública inicial de ações (IPO).

Esses planos serão concretizados com mais funcionários. A Yuca tem 102 funcionários e pretende dobrar sua equipe nos próximos doze meses. As principais contratações serão nas áreas de produto e tecnologia.

Até o final de 2021, espera chegar a 2.000 unidades sob gestão. As locações de apartamentos individuais devem ganhar ainda mais participação na Yuca, chegando a mais de 50% nos próximos doze meses.

A Yuca ainda não pensa em novas captações. “Leva tempo até contratarmos toda a nova equipe e entregamos os planos traçados. Nesse momento também estamos focados apenas em São Paulo. Ainda temos muitas oportunidades a explorar na cidade se quisermos consolidarmos a liderança em um mercado tão grande”, diz Campos.

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