Você sabe para onde vão os iPhones antigos? Para um lugar que cresce cada vez mais

A Índia, mercado que cresce mais que a China, é o destino dos iPhones que já saíram de linha

Bloomberg

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A Apple Inc., que tem tido problemas nos mercados emergentes pelo preço dos seus novos modelos de iPhone, montou uma estratégia para a Índia que está começando a render: impulsionar modelos mais antigos que oferecem prestígio a preços acessíveis.

O iPhone 4, lançado nos EUA em junho de 2010, continua disponível. Assim como o iPhone 4s, que saiu à venda em outubro de 2011.

“Você ostenta um iPhone, mas não um Android”, disse Punit Mathur, 42, vice-presidente de uma empresa de mídia digital que trocou um Nexus 4 por um novo iPhone 4s. Um iPhone 5s, que custaria 53.500 rúpias (US$ 874), é caro demais, “mas o 4s continua sendo um avanço”, disse ele.

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A Apple dobrou suas vendas num mercado que está crescendo mais rapidamente do que a China e os EUA no intuito de fechar a brecha com a Samsung Electronics Co. e com as fabricantes locais Micromax Informatics Ltd. e Karbonn Mobiles India. A estratégia é crucial para o sucesso da Apple num país onde dois terços da população vivem com menos de US$ 2 por dia – e ela poderia se tornar um modelo para outros países emergentes.

“Quando a Apple terminar de testar esse modelo na Índia, ele será implementado em outros mercados”, disse Ken Hyers, analista da Strategy Analytics na Carolina do Norte. “Em particular no Brasil, na Rússia e na Indonésia, os outros grandes mercados emergentes onde ela quer ganhar participação no mercado”.

A abordagem da Apple na Índia lhe ajudou a ganhar impulso no país onde 225 milhões de smartphones serão vendidos neste ano, disse Brad Rees, CEO da Mediacells, empresa de marketing com sede em Londres. A Apple, a quinta maior vendedora na Índia, mais do que dobrou suas vendas no país durante o primeiro trimestre em relação ao ano anterior, totalizando 325.000 unidades de iPhone, segundo a empresa de pesquisa Canalys.

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Concorrência da Xiaomi

A concorrência está se intensificando na Índia. A Xiaomi Corp., empresa com quatro anos de existência que supera a Apple em vendas na China oferecendo dispositivos baratos com funções exclusivas, começou a fornecer seus celulares Mi3 na Índia a 13.999 rúpias no Flipkart.com. Em três vendas on-line limitadas, 35.000 telefones foram comprados em minutos.

Historicamente, a Apple empregou a fortaleza da sua marca, e não os preços, para atrair os consumidores. Contudo, seu sucesso se deve em parte a operadoras que oferecem dispositivos com descontos ou permitem aos consumidores pagarem por um celular durante um contrato de vários anos.

“A Apple começou a entender que a Índia é um mercado onde os preços são mais relevantes”, disse Katyayan Gupta, analista da Forrester Research Inc. em Nova Délhi. “Os indianos querem ostentar seu status, portanto as pessoas querem a Apple. Não importa se o telefone tiver dois anos. Afinal de contas, é da Apple”.

Sem subsídios

As operadoras na Índia normalmente não subsidiam os custos dos telefones porque a maioria dos clientes não assina contratos de vários anos. Isso se deve à dificuldade para conferir a solvência de uma pessoa ou fazer cumprir os contratos, disse Rajan Matthews, diretor-geral da Associação de Operadores de Celulares da Índia, em Nova Délhi.

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O preço médio de um iPhone na Índia é de cerca de US$ 450 devido à maior proporção de modelos mais antigos vendidos, segundo Jessica Kwee, analista da Canalys em Cingapura. Isso se compara com a média de US$ 600 a US$ 700 nos EUA, disse ela.

A venda de modelos mais antigos se tornará uma parte cada vez mais central do plano da Apple na Índia à medida que sua linha de produtos amadureça, disse Rees, da Mediacells. E como a empresa busca aumentar as vendas em mercados como o Vietnã e o Brasil, ela poderia repetir a estratégia da Índia.

“Vamos ver a Apple trazer de volta mais modelos antigos em mais mercados de todo o mundo”, disse Hyers. “É um excelente modo de aumentar a influência na mentalidade dos consumidores e levá-los ao ecossistema da marca, e, de certa forma, isso faz com que os clientes que compraram esses dispositivos menos exclusivos da Apple queiram passar para a próxima geração quando puderem”.