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SÃO PAULO – Poucos setores da economia puderam comemorar um crescimento nas vendas nos últimos meses, uma vez que diante do aumento da inflação a maioria dos consumidores optou por cortar alguns itens do seu orçamento. Um setor que certamente não tem o que reclamar é o de produtos light e de beleza, que apesar da perda de poder aquisitivo da população conseguiu manter as vendas em alta.
Um estudo da consultoria especializada em varejo, ACNielsen, constatou que alguns segmentos da economia não foram prejudicados pela perda de poder aquisitivo entre os consumidores. Perda esta que tende a se acentuar ainda mais neste ano, já que as projeções do último relatório do Banco Central estimam que a inflação medida pelo IPCA, índice usado para medir a inflação nacional, deve fechar o ano em 12,06%, muito próxima da variação registrada no ano passado, que foi de 12,53%.
Consumidor vê produtos como prêmio
Segundo o estudo, apesar da queda no poder aquisitivo em geral levar a um corte no consumo de produtos tidos como supérfluos, em alguns segmentos, como o de produtos light/diet e de beleza este efeito é inverso. Ou seja, o consumidor opta por adiar a troca do carro novo e da viagem de férias, mas se recusa a abrir mão do seu shampoo preferido.
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Segundo o gerente da ACNielsen, Ari Gonzalis, este fenômeno pode ser explicado como uma forma do consumidor se auto-premiar, de manter um mínimo de satisfação pessoal. Exatamente por isto estes produtos acabam não sendo afetados mesmo diante do aumento dos preços, pois os consumidores são menos influenciados pelo preço.
Até mesmo a população de menor poder aquisitivo já está investindo na compra de produtos desta natureza, embora em menor proporção. Segundo o levantamento da consultoria, cerca de 35% das pessoas da classe C afirmam já comprar produtos diet, enquanto na classe A este percentual é de 75%.
Produtos light já respondem por 12% das vendas
Com base nisto não chega a surpreender a constatação do estudo de que no ano passado, os produtos light responderam por 12% das vendas, frente a uma participação de apenas 3% há quatro anos atrás.
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Entre os refrigerantes, as opções light responderam por 8,3% das vendas em 2002, frente à cerca de 5% no ano anterior. Considerando que cada ponto percentual equivale a R$ 80 milhões, isto significa um aumento de pouco mais de R$ 240 milhões em vendas no ano passado. No segmento de leite longa vida, a participação dos produtos light é ainda maior, de cerca 23%, enquanto nos iogurtes ela ainda é de 10% e nos pães industrializados de 11,8%.
Volume de vendas cresceu 5,5%
No segmento de beleza a situação é a mesma, apesar do aumento de 12% nos preços dos cremes de tratamento de cabelos, o volume de vendas cresceu 12,6% no período. Segundo o estudo da ACNielsen, a maioria dos produtos analisados registrou um crescimento no volume de vendas, apesar da perda de poder aquisitivo da população.
Em termos de volume o crescimento médio do segmento beleza foi de 5,5%, enquanto o reajuste médio dos preços ficou em 8%. Se considerarmos que os preços aumentaram menos do que a inflação oficial, que foi de 12,53%, o que se verifica é que tanto varejistas quanto os fabricantes optaram por subsidiar o crescimento do segmento, visto como um dos mais favoráveis da economia.