Vendas de carro a álcool disparam com queda do IPI e alta da gasolina

De janeiro a julho foram vendidos 25% mais carros a álcool do que durante o ano passado inteiro, entrega pode demorar até 40 dias

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SÃO PAULO – Na semana passada o Governo divulgou uma redução nas alíquotas de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) dos carros populares, com motor 1.0, e dos carros médios com motor até 2.0. A redução mais acentuada foi exatamente na alíquota dos carros de médio porte, que caiu de 25% para 16%, enquanto a dos carros 1.0 caiu apenas de 10% para 9%.

Além disto a redução nos modelos populares terá validade temporária, enquanto nos demais modelos será permanente. Esta diferença acabou levando com que em alguns modelos o mesmo carro com motor 1.0 e 1.6 acabassem sendo vendidos por uma diferença de apenas R$ 500, levando alguns consumidores a optar pelo modelo mais potente devido á pequena diferença de preço.

Carro a álcool fica mais atrativo

A maior redução, entretanto, ficou com a alíquota dos carros de médio porte movidos a álcool, que caiu de 25% para 14% e deve ser mantida por tempo indefinido. Na visão do presidente da Associação Nacional de Veículos Automotores (Anfavea), Ricardo Carvalho, a redução mais acentuada do IPI nos carros movidos a álcool pode acabar atraindo o consumidor.

Antes mesmo da redução do IPI muitos consumidores já estavam apostando nos carros a álcool devido ao forte aumento do custo do litro da gasolina, influenciado pelo aumento do petróleo no mercado internacional e pela alta do dólar frente ao real.

Somente em julho a Anfavea estima que tenham sido vendidos 4.411 carros a álcool, o volume mais alto desde agosto de 1995, quando foram vendidas pouco mais de cinco mil unidades. Em relação ao volume de vendas registrado em junho, que foi de 2.815 unidades, houve um aumento de quase 57% nas vendas de carros a álcool. O aumento nas vendas é tão impressionante que nos primeiros sete meses de 2002 foram vendidos pouco menos de 23 mil carros a álcool, o que supera em 25% as vendas no acumulado do ano passado inteiro.

Espera pode chegar a 40 dias

A procura aumentou tanto que o tempo médio de espera na compra de um carro a álcool é de cerca de 40 dias, pois como não há estoques do produto é preciso fazer o pedido para as montadoras e esperar a entrega.

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Engana-se quem acredita que o consumidor acaba desistindo da compra do carro a álcool diante da espera de mais de um mês, para o consultor da Fiat, Jack Tamman, o consumidor que quer um carro a álcool não muda de idéia. Tamman estima que 15% dos consumidores que entram em uma concessionária para comprar um carro novo busquem um carro a álcool, que afirma que o cliente interessado neste tipo de veículo em geral busca um carro de motor 1.0.