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SÃO PAULO – Desde outubro do ano passado, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa de juros básica da economia de 18% ao ano (ou 1,39% ao mês) para os atuais 26,5% ao ano (ou 1,98% ao mês). Apesar disto, as varejistas não estão conseguindo repassar este aumento para o consumidor final, que com o seu orçamento cada vez mais enxuto não conseguiriam absorver novos aumentos dos juros do crediário.
Na opinião do diretor da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio), Antonio Carlos Borges, a diferença entre a taxa básica da economia (1,98% ao mês) e a taxa praticada pelos crediários (6,66% ao mês) é tão grande que o comércio tem espaço para absorver esta perda de margem. Entretanto, assim que houver um reaquecimento do consumo é provável que o varejo tente repassar estes aumentos ao consumidor.
Repasse deve acontecer no próximo trimestre
Para Borges, o segundo trimestre é, tradicionalmente, uma boa época para o comércio, devido, sobretudo, ao Dia das Mães. Exatamente por isto ele aposta que os juros para o consumidor possam subir entre abril e maio deste ano.
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O segundo trimestre seria na visão do executivo da Fecomércio um bom termômetro para as vendas no ano, mas infelizmente neste ano a situação é relativamente delicada visto que o mundo sofre com as incertezas ocasionadas pelo conflito no Oriente Médio.
Política restritiva deve favorecer reformas
Esta situação pode acabar forçando o governo a adotar uma política monetária ainda mais restritiva, de forma que a taxa básica de juros poderia ser elevada mais uma vez. A forte perda de poder aquisitivo na segunda metade do ano passado, quando a inflação saiu de controle, diminuiu o espaço para novos repasses ao consumidor, pois poderia implicar em um aumento da inadimplência.
Por sua vez, este aumento encareceria os custos dos crediários, afugentando ainda mais os consumidores e conseqüentemente prejudicando o desempenho das vendas destes comerciantes.
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O diretor do LuizaCard, financeira da rede Magazine Luiza em sociedade com o Unibanco, Arquimedes Salles, aposta em queda nas vendas de janeiro e fevereiro. De acordo com informações prestadas por Salles, como forma de evitar disputa de preços nos supermercados a rede não repassou o aumento nos custos, mas ainda assim teve redução de 25% nas vendas.