Uso do cheque especial bate recorde em agosto, mostra BC

A concessão foi 10,3% maior no oitavo mês do ano do que em julho (R$ 24,768 bilhões) e 18,09% maior do que a registrada em agosto de 2010

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SÃO PAULO – Os brasileiros nunca usaram tanto o cheque especial como agora. Mesmo sendo uma das modalidades mais caras – só perdendo para o cartão de crédito –, a concessão de crédito por meio desta modalidade registrou recorde no mês de agosto, ao atingir R$ 27,319 bilhões.

De acordo com a Nota de Política Monetária e Operações de Crédito, divulgada pelo Banco Central, a concessão foi 10,3% maior no oitavo mês do ano do que em julho (R$ 24,768 bilhões) e 18,09% maior do que a registrada em agosto de 2010, quando os brasileiros usaram R$ 23,134 bilhões de crédito no cheque especial.

Juros
Entretanto, a forte procura pela modalidade não é justificada pela taxa de juros, que, apesar de ter registrado leve queda entre julho e agosto (de 9,22% ao mês – equivalentes a 188% ao ano – para 9,20% ao mês ou 187,5% ao ano), é uma das mais altas do mercado.

Segundo o especialista da MoneyFit, Antonio De Julio, o cheque especial é muito utilizado pelo brasileiro por ser uma modalidade de crédito que já está disponível na conta-corrente e pode ser utilizada sem necessidade de novas comprovações de renda ou outro tipo de análise. “Mas este é um grande erro, porque, quanto mais fácil o crédito, mais caro ele é”, afirma De Julio.

Ele ressalta que  é comum que os brasileiros utilizem o cheque especial já como parte do salário mensal. “As pessoas erroneamente fazem isso e acabam se endividando a curto e médio prazo”, alerta.

Inadimplência
De acordo com o Banco Central, a inadimplência no cheque especial caiu no mês passado. Segundo o BC, as dívidas vencidas entre 15 e 90 dias passaram de 4,9% do total em julho para 4,4% no mês de agosto.

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Na comparação com o mesmo mês de 2010, entretanto, quando a inadimplência desta modalidade estava em 3,9%, houve alta.

De acordo com o especialista, a melhor maneira de evitar a inadimplência é procurar por modalidades de créditos mais baratas, como o crédito pessoal, e procurar equalizar as finanças. “É preciso cortar gastos ou então dar um jeito de conseguir ganhar mais dinheiro”, diz.

“O cliente também pode optar por renegociar a dívida com o banco ou fazer um empréstimo com juros menores. Mas é preciso ter consciência de que o dinheiro do empréstimo é para quitar as dívidas e não para comprar coisas novas”, conclui.


Coordenador de conteúdo educacional do InfoMoney, ganhou 3 vezes o prêmio de jornalismo da Abecip