Transporte público: tarifas mais caras comprometem orçamento do paulistano

Aumento da passagem do Metrô chega a mais de 23%; desconto na compra de bilhete múltiplo praticamente deixa de existir

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SÃO PAULO – Os últimos aumentos nas tarifas do Metrô e dos trens da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), bem como a alta nas passagens dos ônibus intermunicipais da EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos), representaram elevação nos gastos mensais do trabalhador paulistano. O peso no orçamento pode ir de R$ 12 a mais de R$ 35 por mês!

Depois dos benefícios trazidos pelo Bilhete Único municipal, que desde meados do ano passado possibilita a integração entre ônibus no período de duas horas sem acréscimo de nova tarifa, agora é a vez do orçamento dos moradores da capital paulista ser comprometido pelo encarecimento de até 23% do transporte público estadual. Os preços dessas tarifas não subiam há dois anos.

Metrô: alta nos preços e fim do desconto

A partir do último domingo (16), os bilhetes unitários do Metrô ficaram 10,52% mais caros e passaram a custar R$ 2,10. Antes do aumento, seu valor era de R$ 1,90. A alta mais significativa, no entanto, foi verificada nos bilhetes que dão direito a duas viagens, conhecidos como Múltiplos de 2. Neste caso, a tarifa chegou a R$ 4,20, depois de elevação de 23,52% sobre os R$ 3,40 cobrados até sábado (15).

Com esta alta no Múltiplo de 2, o governo estadual elimina seu benefício sobre os bilhetes unitários. Agora, quem compra o tíquete que dá direito a duas viagens paga, por trajeto, o mesmo preço que pagaria caso adquirisse o bilhete único. Antes do aumento, havia um desconto de R$ 0,40 para o usuário que utilizasse o Múltiplo de 2.

Também com significativa alta, os bilhetes Múltiplos de 10, que valem por dez viagens, subiram de R$ 17 para R$ 20, ficando 17,64% mais caros. O paulistano que vai para o trabalho de Metrô, usando este tipo de bilhete, passa a gastar R$ 3 a mais por semana, partindo-se do princípio que trabalhe de segunda a sexta-feira. Dessa forma, seus gastos mensais com transporte aumentaram R$ 12, em média.

Além disso, o desconto para quem compra o Múltiplo de 10, que antes era de R$ 2, agora caiu para apenas R$ 1, ou R$ 0,10 por viagem.

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Ônibus intermunicipal também fica mais caro

Os ônibus que trafegam entre os municípios pertencentes à Região Metropolitana de São Paulo também tiveram suas tarifas elevadas no último domingo. Após os reajustes, de todas as linhas disponibilizadas pela EMTU, a passagem mais barata ficou em R$ 1,35, preço cobrado em trajetos como o que liga as cidades de Embu Guaçu e Itapecerica da Serra.

Em contrapartida, o valor mais caro chegou a R$ 10,40, que é quanto custa a passagem de ônibus entre a cidade de Guararema e o Terminal Rodoviário do Tietê, em São Paulo. Esta comparação não considera as linhas que partem do Aeroporto Internacional de Guarulhos em direção a diversos pontos da capital paulista. Nestes casos, a tarifa pode custar até R$ 24.

Exemplo da média de aumentos efetuados no último final de semana, o bilhete de ônibus intermunicipal da linha Urubupungá, que liga as cidades de São Bernardo do Campo e Osasco, ficou 20% mais caro, passando de R$ 4 para R$ 4,80.

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Quem mora no ABC Paulista e trabalha em São Paulo, por exemplo, pode utilizar este ônibus diariamente. Para esta pessoa, os gastos mensais com transportes subiram cerca de R$ 35,20, considerando-se um mês com 22 dias úteis.

Vale lembrar que nos últimos dois anos, período em que não houve elevação das tarifas, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo) acumulado é de 16,90%. Calculado mensalmente pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), este índice é um dos parâmetros para se medir a inflação do Brasil.