Tarifas abusivas dos vales-refeição sufocam consumidor, declara Abrasel

Para a entidade, com a compra da VR pela Sodexho, as taxas cobradas dos restaurantes devem ser ainda maiores

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SÃO PAULO – O consumidor é o principal penalizado pelas práticas das empresas de vale-refeição. O presidente do Conselho Nacional da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), Bobby Fong, declarou que os descontos que estas empresas dão a seus clientes, compensados pelas altas taxas cobradas dos restaurantes, sufocam principalmente os clientes.

E é justamente pensando nas taxas cobradas pelas empresas de vale-refeição que a Abrasel entrará com uma representação no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) contra a aquisição da VR pela Sodexho, duas das maiores empresas do setor. De acordo com a Associação, a aquisição concentra ainda mais o domínio do mercado e o torna terreno propício para a formação de cartel.

O presidente da Abrasel, Paulo Solmucci Jr., afirma que “os donos de bares e restaurantes se sentem cada vez mais prejudicados com as taxas e comissões abusivas cobradas pelas operadoras de tíquetes e vales-alimentação”, e que a Abrasel pretende combater esse abuso.

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Aumento das tarifas

Bobby Fong aponta os primeiros reflexos negativos decorrentes da possibilidade de aquisição. Logo após o anúncio da compra da VR, segundo Fong, a Sodexho procurou sua rede de restaurantes, em Pernambuco, para unificar os sistemas de vale-refeição.

“A VR nos cobrava uma taxa de 3,66% com um prazo e reembolso de 15 dias, enquanto a Sodexho pratica 4,7%, com 21 dias para o reembolso. É essa taxa mais alta que eles querem praticar agora. Nosso grupo pode recusar esse aumento abusivo, mas muitas empresas de menor porte acabarão tendo que aceitar essa imposição”, alerta Fong.

As taxas são consideradas exorbitantes pelo presidente do Conselho Nacional da Abrasel, pelo fato de não existir inadimplência no setor. Ele explica que as empresas de vale-refeição tentam transferir para os restaurantes todos os custos das operações, praticando taxas negativas na hora de vender seu produto.

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Gigante dos vales-benefícios

Se a união das duas empresas – VR, com faturamento de R$ 4 bilhões, e Sodexho, com R$ 3,2 bilhões, terceira e quarta colocadas no mercado de vales-benefícios – for aprovada pelo Cade, poderá surgir uma nova liderança no setor. Ela irá ultrapassar em uma só tacada as duas primeiras colocadas (Ticket Serviços e Visa Vale).