Tarifa de eletricidade pode aumentar no Mato Grosso, Paraná e Rio de Janeiro

Segundo especialista, leilão da Aneel contratou energia "muito cara" e "poluidora", durante um longo período

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SÃO PAULO – A conta de luz para consumidores dos estados do Mato Grosso, Paraná e Rio de Janeiro poderá ficar mais cara em função do leilão de energia nova realizado pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). O alerta é do Gesel (Grupo de Estudos do Setor Elétrico) da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

O leilão resultou na contratação de 5.566 megawatts para o sistema elétrico brasileiro a partir de 2013, e os três estados citados foram os que mais adquiriram energia no leilão. Segundo informou à Agência Brasil o coordenador do Gesel, Nivalde de Castro, 2/3 da energia contratada “estão em cima de usinas a óleo, que são muito caras”.

Longo prazo

Outro fator desfavorável apontado por Castro foi a quantidade muito grande de energia contratada, “porque as estimativas das distribuidoras foram feitas há meses atrás, quando o cenário estava muito diferente.

O coordenador do Gesel analisa que isso vai fazer com que o sistema elétrico fique com esses contratos de cerca de 3 mil MW durante 15 anos, com preço relativamente alto, “e com uma energia muito poluidora, muito suja”.

Cenário preocupante

Ele também afirmou que a energia está muito concentrada em poucos empreendedores. E à exceção de uma pequena hidrelétrica, as usinas a óleo são empreendimentos que demoram em média dois anos e meio para serem construídos.

E como se trata de empreendimentos para daqui a cinco anos, os empreendedores vão esperar uma melhor definição da crise financeira para poder fazer investimentos, esclareceu Castro.

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Ele ainda advertiu que a maioria das distribuidoras que participou do leilão vai aguardar o cenário financeiro melhorar, para poder calcular qual será o custo do financiamento de seus investimentos. “Esse é um dado preocupante que mostra que o cenário não é tão cor-de-rosa como foi colocado pela EPE (Empresa nacional de Pesquisa Energética)”, concluiu.