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SÃO PAULO – Se a sustentabilidade nas construções parecia um assunto distante, restrito aos impactos na construção de usinas hidrelétricas em áreas florestais, saiba que essa história mudou. Muito pode ser feito no dia-a-dia, em nossas casas, para racionalizar o consumo e melhorar nossa relação com o meio ambiente. E o melhor: as soluções sustentáveis também colaboram para a saúde do bolso.
Quem dá as dicas sobre o assunto é o arquiteto Manolo Vilches, para quem o “uso das construções no futuro pode ser repensado de forma a colaborar com a causa sustentável”. As ações, segundo Vilches, são simples, e requerem “o mínimo de bom senso”, estando ligadas principalmente a três conceitos de economia e reciclagem de recursos: energia, água e materiais em geral.
Energias alternativas
A economia de energia, ressalta o arquiteto, além de minimizar os impactos no meio ambiente, é também agradável ao orçamento doméstico. Para ele, um bom projeto deve prever um menor consumo de energia elétrica por habitante, utilizando para isso racionalidade na iluminação de ambientes, no uso de vedações e materiais transmissores de calor para economizar na iluminação artificial e na refrigeração.
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O aquecimento da água também pode ser repensado e a obtenção de energia por formas alternativas ganha soluções inusitadas, como as placas solares e os captadores eólicos, que produzem energia através de geradores movimentados pelo vento.
Economia de água
Vilches lembra que a água nunca foi problema para os brasileiros com acesso às redes de abastecimento, e a economia e o uso racional só se manifestam em tempos de racionamento. Quase 80% da água que chega aos esgotos é limpa, ou seja, passível de reuso.
Nas construções, o arquiteto indica que é possível pensar em um sistema de cisternas para armazenagem de água de chuva e utilização para os vasos sanitários e regagem dos jardins. Outras medidas possíveis são o controle da água corrente em torneiras com o uso de temporizadores e a implantação de sistemas de reutilização da água nos condomínios.
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Com relação aos materiais, a preocupação torna-se um exercício de criatividade. A opção por materiais como a madeira de reflorestamento ou os tijolos de solo-cimento são, na opinião de Vilches, interessantes, mas deve-se pensar mais nas relações indiretas que envolvem a fabricação de todos os materiais: das janelas de alumínio, telhas de amianto, vidros temperados, acrílicos, até os tecidos sintéticos de decoração.
Tecnologia de ponta
O arquiteto ressalta que, embora muitas das inovações sustentáveis partam da observação do passado, adaptar um projeto à sustentabilidade não é “oferecer ao cliente uma ‘oca’ como solução. Deve-se afastar o estigma de construção simplista ou esteticamente pobre pelo uso de materiais diferentes dos consagrados”.
“Ao contrário do que se pensa, a habitação sustentável está mais perto dos ‘Jetsons’ do que dos ‘Flintstones'”, compara Vilches. Isso porque, segundo ele, o conceito de tecnologia é intrínseco a essas edificações. Sensores foto-elétricos, placas captadoras de energia solar, tubos de ventilação, fibras ópticas e sistemas de irrigação são apenas algumas dentre muitas soluções que envolvem a tecnologia de ponta na tentativa de criar um projeto sustentável.