Supermercados em guerra contra aumentos abusivos

Não bastasse o pãozinho e o óleo de soja, agora é a vez do açúcar; consumidor deve evitar compra de produtos que sofreram reajustes abusivos

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SÃO PAULO – Desde que o dólar começou a dar sinais de descontrole, em agosto passado, os supermercados avisaram que estaria adiando a reposição de seus estoques, evitando repor produtos que sofreram fortes reajustes. Alguns chegaram inclusive a afirmar, que se não fosse possível negociar aumentos menos acentuados, iriam colocar outros produtos nas prateleiras.

A iniciativa busca evitar que o repasse destes aumentos seja sentido no bolso do consumidor, que poderia com isto deixar de comprar. Desta forma, os próprios supermercados acabaram incentivando os consumidores a optar pelas marcas mais baratas, como forma de combater abusos.

Açúcar é a bola da vez

Depois de amargar aumentos excessivos nos derivados do trigo, como o pãozinho francês, e nos derivados da soja, como o óleo de soja, o consumidor já enfrenta aumentos abusivos em outro produto: o açúcar. Segundo alguns representantes dos supermercados, os fabricantes pedem um reajuste de 77%, dos quais 50% já foram repassados e podem ser sentidos pelo consumidor.

Os fabricantes se defendem alegando que o açúcar cristal tem seu preço regulado no mercado internacional, de forma que o aumento seria inevitável. Apesar disto, a União dos Produtores de Açúcar do Estado afirma que pediram um reajuste de 44%, e não de 77% como afirmaram os supermercados.

Dentre os fatores alegados pelos fabricantes para justificar a necessidade do reajuste estaria o aumento do custo dos insumos agrícolas, assim como o preço do óleo que afetou o custo de produção das matérias primas usadas na fabricação do açúcar.

Supermercados defendem boicote

Se a situação não se resolver, um dos maiores supermercados do país pretende incentivar o consumidor a boicotar as marcas de maior preço, chegando inclusive a colocar cartazes neste sentido. Os supermercados alegam que não têm como evitar os repasses ao consumidor, pois já trabalham com margens líquidas muito estreitas, de cerca de 2%. Desta forma, qualquer tipo de absorção de custos pode implicar em sair de um resultado positivo para um negativo.

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Para o Movimento das Donas de Casa o consumidor também deve participar desta disputa pesquisando os preços e evitando comprar marcas que sofreram aumentos abusivos, sem razão aparente. Em última instância a solução é trocar de marca, buscando alternativas mais baratas. Segundo o movimento o pacote de açúcar refinado, que custava em média R$ 0,75, já está sendo vendido por R$ 1,30, um reajuste de 73%. Em contrapartida, os fabricantes alegam que a saca do açúcar que custava R$ 18,76 em junho agora custa R$ 32,72, um aumento de 74%.

O presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Sussumu Honda, explica que as negociações estão tão difíceis, que em alguns casos o abastecimento das mercadorias ficou comprometido e o consumidor sendo penalizado com a falta do produto nas prateleiras. Para quem está pensando em fazer dieta este pode ser um bom momento para passar a tomar café sem açúcar, além de bom para a saúde é bom para seu bolso.