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SÃO PAULO – São poucos os que não sonham em dirigir um carro hoje em dia, especialmente os moradores de grandes cidades, onde não é possível contar com um transporte público eficiente. Na maioria dos casos, o primeiro bem a ser comprado com as economias do salário é o automóvel.
Muita gente poupa cada real pensando em um dia adquirir seu próprio automóvel. Aqueles que não podem comprar à vista (a maioria) recorrem a financiamentos e comprometem boa parte da renda nas prestações.
Gastos não param no valor do automóvel
Antes de comprar um carro, a primeira coisa que você provavelmente pensa é a quantia que será gasta para adquiri-lo. Se vou comprar um carro de R$ 15 mil preciso ter esse valor na minha conta bancária. É exatamente nessa conta que todo mundo erra.
Para ter um carro não é apenas preciso ter dinheiro para comprá-lo. Os custos de manutenção, impostos, seguro etc, geralmente são esquecidos, mas no final do mês contribuem com grande parte das despesas gerais.
Para manter um carro de R$ 15 mil, por exemplo, você gastará por ano algo entre 10% e 15% desse valor apenas com o seguro e com o IPVA. Não se esqueça também de colocar no papel quanto você gasta com estacionamentos, um pesadelo para os habitantes das metrópoles.
Mesmo quem não estaciona regularmente o veículo no mesmo lugar deve guardar todas as notinhas durante ocasiões esporádicas em que é obrigado a deixá-lo por algumas horas enquanto vai ao cinema ou a um restaurante.
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Também não podemos esquecer os gastos com a manutenção, já que um carro não deixa de ser uma máquina que exige reparos periódicos. Um pneu furado aqui, um espelho quebrado ali. Isso quando o mecânico não diz que um chip eletrônico que coloca gasolina no motor está quebrado e será preciso trocar a peça inteira. Como você pode ver, são despesas que não acabam mais.
Despesas devem ser compatíveis com o orçamento
Imagine uma pessoa que não tenha dinheiro para comprar o carro à vista e entra num financiamento para adquiri-lo, pagando juros mensais de cerca de 3%.
Como o prazo médio deste tipo de financiamento é de 24 meses, a compra de um carro de R$ 15 mil pode significar uma prestação mensal de cerca R$ 800. Se juntarmos o valor desta prestação aos gastos discutidos acima, temos um total de R$ 1.000 por mês só com o carro! Se você ganha algo como R$ 2.000 por mês, só com automóvel estaria gastando 50% do seu salário, isto sem contar com as despesas com gasolina.
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Certamente dirigir um carro não é mais um luxo, mas uma necessidade num País que não oferece serviços de transporte eficientes. Por outro lado, é necessário ter um automóvel compatível com seu nível de renda. A recomendação é não gastar mais de 20-30% de suas receitas mensais com as prestações do carro. Os gastos com a manutenção também não podem ultrapassar outros 15%. É uma simples questão de prioridades.
Se você gasta metade de seu salário apenas para se locomover, tem alguma coisa errada. No final do mês não deve sobrar muito para investir. É importante que você tenha uma reserva de emergência, que cubra as despesas de pelo menos seis meses caso você perca seu emprego ou enfrente situações econômicas adversas.
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