Segundo ministro, alta no preço de alimentos pode atrasar Rodada Doha

Para Celso Amorim, a alta nos preços de alimentos pode fazer com que alguns países recuem no que foi acordado na Rodada Doha

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SÃO PAULO – Em reunião da Unctad (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento), a alta dos preços de alimentos foi citada como uma brecha para a redução do protecionismo dos países ricos. Para o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, o momento seria uma oportunidade única para a eliminação de subsídios e abertura dos mercados agrícolas.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, discorda. Na avaliação de Amorim, a valorização das commodities agrícolas faz com que alguns países recuem no que havia sido combinado há um ano na Rodada Doha – reunião da OMC (Organização Mundial de Comércio) que visa diminuir barreiras comerciais.

“O preço que as pessoas talvez estivessem dispostas a pagar há cerca de um ano para obter um determinado resultado hoje em dia já não é mais o mesmo, porque não vêem um ganho imediato”, disse o ministro, segundo a Agência Brasil.

Tema recorrente

A alta mundial dos preços dos alimentos vem sendo tema recorrente em reuniões e conferências da ONU. Na última conferência da ONU para Agricultura e Alimentação, Jean Ziegler, relator especial da Organização para o Direito à Alimentação, acusou o cultivo de biocombustíveis como o responsável pela alta dos preços dos alimentos.

A declaração gerou polêmica e várias autoridades brasileiras se pronunciaram sobre o assunto. O próprio presidente da república, Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu o plantio dos biocombustíveis e garantiu que a elevação dos preços de alimentos não se dá por este motivo.