São Paulo é a quinta cidade mais barata do mundo. Mas para quem?

Capital paulista ocupa a 5.a posição entre as metrópoles mais baratas do mundo. Mas o que o isso influencia na sua vida?

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SÃO PAULO – Ler nos jornais que São Paulo é um dos cinco lugares mais baratos entre 125 metrópoles pode gerar estranheza e revolta para muitos paulistanos. Afinal, mesmo com o recuo da inflação apresentado pelos últimos índices, os preços continuam elevados e o poder de compra da população é cada vez menor. Para quem recebe o salário em reais, a cidade não representa nenhum paraíso de baixo custo de vida.

Analisar o ranking exige certo cuidado para evitar conclusões equivocadas. Por deixar de lado a paridade do poder de compra da população local, os números revelam apenas alguns indicativos para turistas e empresários internacionais. Com o dólar valendo quase três reais e a turbulência da economia brasileira, é natural que a cidade fique barata para os padrões internacionais. De qualquer forma, o índice não leva em conta o verdadeiro o custo de vida da população.

Ranking

De acordo com o levantamento de uma consultoria britânica, São Paulo está entre as 5 metrópoles mais baratas do mundo. Junto com Bombaim, na Índia, a cidade ocupa a 120.a posição no ranking que avalia o custo de vida em 125 cidades do mundo. Atrás de São Paulo ficaram Teerã, que ocupou o último lugar, Assunção, Harare e Manila. Além de São Paulo, o Rio de Janeiro também participa do ranking e ocupa o lugar no. 118, ao lado de Delhi, também na Índia.

Do outro lado, entre as cidades mais caras do mundo, a campeã foi novamente Tókio, na frente de Osaka, Oslo, Zurique, Hong Kong, Copenhage, Genebra e Paris. As cidades européias, depois das japonesas, tornaram-se um dos locais mais caros do mundo, devido à valorização do euro frente ao dólar. Nova York, por exemplo, caiu da 7.a posição para a 13.a.

Além de dar uma idéia sobre o custo de vida nas 125 cidades pesquisadas, o ranking tem como objetivo direcionar investimentos e outras estratégias de mercado de empresas multinacionais. Observe que o ranking da consultoria Economist Intelligence Unit (EIU), que realizou a pesquisa, é apenas um dos vários levantamentos feitos pelas consultorias espalhadas pelo mundo. Outra função da pesquisa – talvez a mais consistente – é ajudar as empresas a definir melhor suas políticas de remuneração de funcionários expatriados.

Nesse caso, levam vantagem aqueles executivos que vão trabalhar nas cidades onde o custo de vida para os parâmetros internacionais é mais baixo. Um executivo que vai viver num país com moeda desvalorizada e baixo custo de vida internacional, mesmo recebendo um salário menor em relação a um colega que permanece na matriz, possui um poder de compra e padrão de vida infinitamente maiores.

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Custo de vida em São Paulo

Mesmo considerando o grande recuo da inflação nos últimos períodos, São Paulo continua uma cidade bastante cara para os padrões brasileiros. Especialmente para os pobres, que concentram suas compras em alimentos e transporte. Como os produtos de alimentação e o transporte público foram alguns dos que mais subiram nos últimos meses, a população de baixa renda apresentou uma enorme perda no seu poder aquisitivo.

Uma família com renda abaixo de dois salários mínimos gasta o correspondente a um terço do seu orçamento com as compras de alimentos no supermercado. Já uma família que ganha acima de 30 salários essa porcentagem cai para 10% do orçamento total.

A menos que você seja um executivo com salário em dólares ou tenha fundos de investimento em moeda estrangeira, viver na capital paulista não é nada barato. Com salários reais menores, os trabalhadores são obrigados a gastar cada vez menos. Porque a cidade está cada vez mais cara.