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SÃO PAULO – No final de outubro, a Câmara de Medicamentos anunciou que estaria concedendo um reajuste extraordinário para os fabricantes de remédios, para compensar as perdas devido à alta registrada pelo dólar em 2002. Os reajustes entraram em vigor a partir de 11 de novembro, sendo que o aumento médio concedido foi de 8,63% e o máximo ficou em 9,92%.
Pesquisa do Conselho Regional de Farmácias do Distrito Federal (CRF-DF), em parceria com o Instituto Brasileiro de Defesa dos Usuários de Medicamentos, sobre os preços de 865 medicamentos foi constatado que em alguns casos os reajustes ficaram acima do limite máximo autorizado, podendo chegar até a 49,04%.
Política de preços não está definida
A política de preços a ser adotada pelo próximo governo ainda não foi definida, apesar de Lula ter afirmado que é contra o congelamento, o coordenador da equipe de transição, Antônio Palocci Filho, sinalizou que o próximo governo pode manter os preços dos medicamentos sob controle oficial.
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Apesar de não existir consenso sobre se os preços dos remédios devem ou não ficar liberados no próximo governo, todos concordam que os laboratórios deveriam continuar adotando uma postura responsável, de forma a evitar uma onda de reajustes excessivos, que colocaria em risco a liberação dos preços.
Preços podem subir novamente
De acordo com a medida provisória, que estabeleceu o congelamento dos preços dos remédios nos últimos dois anos, os preços dos remédios devem ser reajustados anualmente. O último reajuste anual aconteceu em janeiro deste ano, já que o reajuste do mês passado foi considerado extraordinário devido às perdas do setor diante da alta do dólar em 2002.
Apesar disto, existe expectativa de que outro aumento, semelhante ao que foi concedido em outubro, possa ser anunciado ainda em dezembro, antecipando o reajuste anual que deveria acontecer só em janeiro. Com isto, o reajuste médio nos últimos dois meses ficaria em 18%, em linha com o que a Febrafarma (Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica) estimava como necessário para repor as perdas devido à valorização do real no ano.