Publicidade
SÃO PAULO – Para quem tem criança em casa, sofre de alguma doença crônica ou já está em idade mais avançada, não há como negar que os gastos com medicamentos comprometem uma boa parte do orçamento mensal.
Sem dúvida a entrada dos chamados remédios genéricos no mercado brasileiro em 1999 contribuiu para uma melhora desta situação, visto que estes medicamentos tendem a ser até 40% mais baratos do que os medicamentos de referência em que se baseiam.
Congelamento terminou em dezembro
Além disto, também contribuiu a política de congelamento de preços adotada desde 2001, quando ficou estabelecido que os medicamentos poderiam ser reajustados apenas anualmente, desde que respeitado um percentual máximo estabelecido pela Câmara de Medicamentos.
InfoMorning
Informações, análises e recomendações que valem dinheiro
Segundo a lei 10.213 o congelamento seria mantido somente até o final do ano passado, de forma que o setor ainda aguarda uma política oficial do novo governo sobre o assunto.
Segundo levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), desde 1999 os remédios têm apresentado uma variação abaixo daquela registrada pelos outros componentes do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) e que é utilizado pelo Banco Central do Brasil para o acompanhamento dos objetivos estabelecidos no sistema de metas de inflação.
Reajuste extraordinário puxou preços em dezembro
Ao se analisar o impacto dos remédios na inflação medida pelo IPCA, o IBGE constatou que entre abril e novembro do ano passado os remédios praticamente não influíram na formação do IPCA, tendência que se reverteu de forma abrupta em dezembro, quando foi concedido o reajuste extraordinário para os remédios.
Continua depois da publicidade
Depois de acumular variação positiva de 4,29% até abril, registrando variações de 2,09% em fevereiro e 1,60% em março, os preços ficaram estáveis até novembro, mês em que a variação acumulada dos preços ainda era de 4,75%. Contudo, a elevação de 5,86% nos preços em dezembro acabou levando a variação acumulada no ano passado dos preços a atingir 10,89%.
Dentre os medicamentos cujos preços são acompanhados, as maiores altas no ano ficaram com os hepatoprotetores (15,96%), os materiais para curativo (14,98%) e as vitaminas e fortificantes (12,74%). Por sua vez, os hipotensores (8,87%), os antibióticos (9,14%) e os anticoncepcionais (10,11%) foram os que registraram os menores aumentos.
Remédios podem subir em março
As empresas que aderiram ao Protocolo de Intenções da Câmara de Medicamentos, que inclui, entre outras coisas, a promessa de não alterar os preços até o final de fevereiro, poderão praticar reajustes médios de 8,63%, sendo que o reajuste máximo deve ficar em 9,92%.
Continua depois da publicidade
Até o momento sabe-se só que os remédios homeopáticos e fitoterápicos não serão incluídos no Protocolo, mas uma lista completa dos medicamentos, que serão excluídos da regra de regulamentação econômica deve ser divulgada até o final de março. Segundo o IBGE o impacto do reajuste dos remédios deve ficar em 0,33 ponto percentual.
O reajuste, como lembrou o atual ministro da Saúde, teria como objetivo recompor as perdas com a alta do câmbio no ano passado, que aumentou excessivamente o custo de fabricação de boa parte dos medicamentos, que depende de insumos importados. Com isto a indústria terá que esperar mais dois meses para receber seu reajuste anual, que sob a regra do congelamento era concedido sempre em janeiro.