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SÃO PAULO – Um dos setores mais afetados pela alta do dólar é o de remédios, uma vez que boa parte dos princípios ativos usados na fabricação dos mesmos é importada e, portanto, determinada em dólar. Como os preços dos remédios são reajustados apenas uma vez a cada 12 meses, o próximo aumento deve acontecer em janeiro de 2003.
Laboratórios pedem reajuste de 18%
Em janeiro deste ano, quando foi concedido o último reajuste, o dólar ainda estava cotado em R$ 2,36, de forma que desde então a moeda norte-americana acumula valorização de 60%, depois de ter fechado o pregão desta segunda-feira cotado em R$ 3,77. Para o presidente da Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Febrafarma), Ciro Mortella, diante do forte aumento dos custos de produção de remédios, muitos fabricantes acabaram optando pela redução dos investimentos, e até mesmo por demissões.
Depois de dois anos de preços monitorados pela Câmara de Medicamentos, o que permitiu que o reajuste dos remédios acabasse sendo menor do que o registrado pela própria inflação, os fabricantes estão reivindicando um reajuste mínimo de 18% para o preço dos remédios em janeiro de 2003. Este pode ser um dos primeiros desafios do próximo governo, já que o aumento de 18% no preço dos remédios certamente contribuiria para a alta da inflação, prejudicando principalmente os assalariados.
Liberação do mercado negociada
Apesar de defenderem a liberação dos preços dos remédios, os representantes do PT são bastante vagos em como pretendem atingir este objetivo, sem penalizar de maneira excessiva o consumidor, já que qualquer aumento dos preços deve ser repassado, uma vez que as farmácias já trabalham com margens bastante reduzidas.
Alguns representantes, como é o caso do deputado Arlindo Chinaglia do PT de São Paulo chegam a sugerir que o reajuste seja negociado com o atual governo, o que é impossível visto que será aplicado somente em janeiro, quando Lula já tiver tomado posse. Caso o reajuste fique mesmo a cargo do governo Lula, o deputado acredita que os fabricantes antes de receber os reajustes de que precisam terão que comprovar o aumento nos custos. Mesmo que o dólar ceda nos próximos meses e feche cotado em R$ 3,40 como aposta o Banco Central, ainda assim a defasagem com relação à cotação de janeiro deste ano seria de 44%.
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