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SÃO PAULO – Para conseguir recuperar as perdas que sofreram com a forte escalada do dólar desde o início do ano os fabricantes de remédios teriam que obter um novo reajuste dos medicamentos. Desde janeiro a alta do dólar já chega aos 21% e os fabricantes de remédios, que dependem de insumos importados para fabricar seus medicamentos, têm sido obrigados a absorver estas perdas.
A constatação, que não chega a surpreender, é do próprio presidente da Febrafarma (Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica), Ciro Mortella, que também lembra que na época do último reajuste de preços a cotação do dólar estava em R$ 2,36.
Perdas no semestre já são de 15%
Mortella estima que as perdas neste primeiro semestre do setor já alcancem os 15%. Ao serem forçadas a absorver as perdas com o dólar, as fabricantes de remédios já estão ajustando suas projeções de vendas para o ano de 2002.
Inicialmente o setor apostava que conseguiria fechar o ano com um crescimento de 5%, mas agora já acreditam que o mais provável é que o mercado fique estável em relação ao ano passado, atingindo um faturamento de cerca US$ 1,6 bilhão.
Último reajuste foi em janeiro
No final de janeiro, a Câmara dos Medicamentos definiu o percentual do reajuste dos remédios para o ano de 2002. O reajuste médio dos preços dos remédios foi de 4,32% para as fabricantes de medicamentos, enquanto o valor máximo estipulado pela Câmara foi de 5,83%. Os reajustes entraram em vigor a partir do dia 31/01 e depois disto os preços estariam congelados até o inicio de 2003.
Entretanto, desde junho deste ano, quando o dólar começou a dar sinais de alta
alguns fabricantes de medicamentos estão reivindicando junto a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) reajustes nos preços de alguns medicamentos. No total são vinte e oito laboratórios que pedem reajustes de seus produtos. Na época os reajustes pedidos variavam de 0,79% até 489%.