Redução de tarifas bancárias pode elevar outros gastos do consumidor, diz consultor

Medida passa a vigorar em abril, podendo resultar em encarecimento de tarifas não monitoradas e de juros

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SÃO PAULO – A partir de abril, bancos terão de reduzir o total de tarifas bancárias cobradas de seus clientes em mais da metade: de cerca de 50 para 20. A determinação foi anunciada pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) em 6 de dezembro passado, quando foi dado o prazo para que as instituições financeiras fizessem adequações em seus sistemas.

Também foram definidas nomenclaturas-padrão, para garantir que os consumidores possam comparar as cobranças entre os diferentes bancos. A idéia é que o processo estimule a concorrência no setor, resultando em menores preços dos serviços. Mas especialistas apontam que isso pode não ocorrer e que, inclusive, o usuário poderá ter gastos maiores.

Travas

“Minha vivência sinaliza que isto não ocorrerá no curto e médio prazo”, afirmou Ricardo Coelho, consultor do setor financeiro.

“Há muitas travas que fazem com que os bons clientes não deixem seus atuais bancos, como conhecimento das formas de operar do seu banco atual e de suas soluções tecnológicas, ter decorado senhas e os processos de segurança, ter limites já alocados e que respeitam sua longevidade, ter cheques pré-datados e débitos automáticos, gostar da logística/proximidade da agência, entre outros”, continuou.

Juro maior

Pesquisa da companhia da análise de risco Austin Rating mostrou que a receita das instituições com tarifas cresceu quase oito vezes desde o Plano Real e dobrou no governo Lula, atingindo R$ 52,8 bilhões em dezembro de 2006. O setor de serviços já representaria cerca de 20% da receita total dessas empresas.

Na avaliação de Coelho, por conta disso, os bancos devem adotar “medidas discretas” para compensar uma diminuição dos ganhos, tais como, elevação discreta dos juros, criação de novas linhas massificadas de crédito, elevação de tarifas não tão fortemente monitoradas, criação e/ou elevação de serviços para produtos específicos (fundos, consórcio), criação de pacotes mais “elaborados”, redução no ciclo de cobrança, entre outros.

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Número de clientes

Em entrevista concedida recentemente à InfoMoney, Luís Miguel Santacreu, analista da Austin, afirmou que um impacto mais forte nos ganhos não é algo tido como certo.

“Observamos que nos últimos anos houve um aumento nos ganhos com tarifas, mas um motivador desse resultado é a ampliação do número de clientes. Quanto mais pessoas tiverem contas-correntes e mais precisarem de crédito, onde também há cobrança de tarifas, os bancos acumularão mais com os serviços”, explicou.

A Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) não se pronunciou sobre o reflexo que a medida do CMN terá nos ganhos das instituições financeiras.

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De qualquer maneira, dados divulgados no ano passado pela entidade mostraram que caiu em quase 9%, em cinco anos, o gasto médio por cliente com tarifas bancárias. Conforme a entidade, o ganho das instituições financeiras por cliente passou de R$ 202 em 2001 para R$ 184 em 2006.