Reajuste médio da mensalidade escolar deve ficar em 13%

Reajuste busca recompor aumento dos custos das escolas no ano de 2002 e só não será maior para evitar fuga de alunos

Publicidade

SÃO PAULO – Para quem tem filhos em idade escolar o início do ano é uma época de altos custos. Não bastassem os gastos com material escolar é preciso pagar a matrícula e a mensalidade de fevereiro. A previsão para este ano é que os reajustes sejam ainda mais altos.

Reajuste deve ser mais alto

Como os reajustes das mensalidades são anuais, as escolas tendem a repassar o aumento dos custos no ano anterior para o preço da mensalidade. Se considerarmos que a inflação no ano de 2002 ficou entre 10% e 25%, dependendo do índice utilizado, fica fácil verificar que os reajustes devem superar aqueles de 2001, quando a inflação ficou entre 7% e 10%.

Além disto, como no ano passado o reajuste médio das mensalidades foi de apenas 5,13%, abaixo, portanto, de todos os índices de inflação para o ano de 2001, as escolas devem tentar repor parte destas perdas, ou pelo menos evitar perdas maiores em 2002.

Contudo, as escolas podem ser forçadas a praticar reajustes mais baixos, como forma de evitar a perda de alunos, visto que muitas famílias acabam transferindo seus filhos para escolas mais baratas, com medo de não conseguirem arcar com o pagamento das mensalidades. Dentro deste contexto, o Dieese projeta um reajuste médio de 13% nas mensalidades neste ano.

Aumento da integração vertical prejudica setor

Apesar de concordarem com a afirmação de que as escolas optaram por reajustes menores para evitar a perda de alunos, os representantes das escolas privadas não acreditam que esteja ocorrendo uma migração de alunos do ensino privado para o público.

Na opinião de Cordaro o grande problema é que muitas escolas estão optando pela inclusão de novos cursos, ou integralização vertical, ou seja, uma escola que antes só tinha primeiro grau agora também oferece o segundo e assim por diante. Nos últimos cinco anos, a integralização acabou aumentando em 70% a oferta de novos cursos.

Continua depois da publicidade

Outro fator que contribui para reajustes menores nas mensalidades é o fato de que alguns estabelecimentos de ensino, como por exemplo, as escolas religiosas e filantrópicas, se beneficiarem da isenção de impostos que permite uma redução de até 35% nos custos.

Historicamente reajustes superaram a inflação

Já na opinião do professor de economia da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), Heron do Carmo, os reajustes escolares ficaram muito acima da inflação nos últimos anos.

O professor lembra que desde 1980 os reajustes das mensalidades escolares ficaram consistentemente acima da inflação, de forma que o fato do reajuste de 2002 ter ficado abaixo da inflação reflete apenas a perda de poder aquisitivo da população.

Continua depois da publicidade

Diante da expectativa de que as mensalidades sofram um reajuste médio de 13%, o economista lembra que o impacto no orçamento familiar pode ser significativo, pois se considerarmos que as mensalidades no ensino médio giram ao redor dos R$ 500-750, isto implicaria em gastos adicionais de R$ 65-98 por mês. Se a família tiver mais que um filho em idade escolar estes gastos podem dobrar chegando a R$ 195 por mês, dinheiro suficiente para arcar com pelo menos parte de algumas despesas do orçamento como água ou luz.