Reajuste do ônibus é abusivo, diz coordenadora do Dieese

Para Cornélia Nogueira, faltam justificativas claras dos órgãos de transporte da cidade de São Paulo para o reajuste de 11,1% no transporte coletivo

SÃO PAULO – A tarifa de ônibus na cidade de São Paulo, que encareceu 11,1%, foi considerada abusiva e desnecessária pela coordenadora de pesquisa do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos), Cornélia Nogueira.

“Essa é uma elevação brusca, já que não havia necessidade de um aumento nessa ordem. Faltam justificativas claras dos órgãos de transporte da cidade de São Paulo para esse reajuste”, afirma a coordenadora.

A passagem no município passou a custar R$ 3 na terça-feira (5), por decisão do prefeito Gilberto Kassab (DEM). O último reajuste efetuado pela prefeitura havia sido em janeiro de 2010, quando o preço da passagem ainda estava fixado em R$ 2,30. Na ocasião, houve um aumento de R$ 0,40, o que representou um reajuste de mais de 17%.

“As pessoas não vão deixar de pegar ônibus, por se tratar de um serviço de primeira necessidade. É mais provável que elas apertem o cinto em outros gastos”, avalia Cornélia.

Pesos
Com a tarifa de R$ 3, o paulistano passa a gastar R$ 6 por dia ou R$ 132 por mês, considerando apenas duas viagens. O ajuste em torno da passagem é de 11,11%.

Levando-se em conta o novo salário mínimo, estabelecido em R$ 540, o passageiro irá destinar ao transporte, pelo menos, 24,44% de sua renda mensal.

Pela passagem antiga, que custava R$ 2,70, um passageiro com renda mensal de R$ 510 gastava, diariamente, R$ 5,40 com ônibus. Por mês, esse mesmo consumidor arcava com R$ 118,80. Esse valor representava 23,3% da renda.

“Quando estivermos no meio do ano, a conta desse consumidor estará deficitária, uma vez que os gastos com o transporte prejudicará ainda mais o seu orçamento”, diz Cornélia.

Melhorias
De acordo com a Secretaria de Transportes, com o aumento será possível promover uma série de benefícios aos usuários do transporte público, como renovação de 65% da frota de ônibus, com a substituição de 9.500 ônibus por novos, mais confortáveis, seguros e maiores, gerando uma maior oferta de lugares.

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