Procura por carro a álcool aumenta, populares perdem espaço

Mudanças no IPI tornaram carros a álcool mais atrativos, enquanto os populares perderam vantagem tributária que tinham

Publicidade

SÃO PAULO – Como era de se esperar, a procura por carros a álcool aumentou significativamente no mês de outubro. Não bastasse o fato de que muitos consumidores estão optando pelos modelos a álcool como forma de gastar menos com combustível, o Governo acabou incentivando o setor ao anunciar uma redução mais acentuada na alíquota de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) dos carros a álcool, de motor acima de mil cilindradas.

Vendas cresceram 51,46% em outubro

Na comparação com o mês de setembro, as vendas de carros a álcool no mês de outubro registraram um aumento de 51,46%. Mas é em relação a outubro do ano passado que o crescimento foi mais impressionante, com as vendas quintuplicando ao passar de 1.712 unidades em outubro do ano passado para 8.884 unidades neste ano.

Com isto, a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) estima que o total de unidades vendidas nos primeiros dez meses deste ano ficou em 42.297. Com isto as vendas no acumulado deste ano, já são 130% superiores às registradas durante todo o ano passado, quando foram vendidas apenas 18.335 unidades.

Populares perdem espaço

Outra tendência verificada no mês de outubro é a perda de participação dos veículos populares, isto é, aqueles com até mil cilindradas, no total das vendas. Esta tendência se justifica pelo fato de que a vantagem comparativa dos populares em relação aos carros mais potentes diminui significativamente com a decisão do governo de reduzir as alíquotas de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados).

Até julho deste ano, os carros populares gozavam de um tratamento fiscal muito melhor do que o dos carros mais potentes, pois pagavam 10% de IPI frente a 25% dos carros com mais de mil cilindradas. Desde então, a decisão do governo de reduzir as alíquotas dos carros de motor entre 1.0 e 2.0 de 25% para 15% no caso da gasolina e de 25% para 13% no caso do álcool acabou diminuindo a vantagem dos carros populares.

Nem mesmo a redução do IPI dos carros populares de 10% para 9% conseguiu impedir que os consumidores passassem a se interessar mais pelos carros de maior potência, acreditando que os mesmos seriam um melhor custo-benefício do que os populares.

Continua depois da publicidade

Apesar das vendas de outubro terem registrado um aumento de 13,4% em relação a setembro, com um total de 67,975 carros populares vendidos, em relação ao mesmo período do ano passado as vendas cresceram apenas 5,6%. Esta tendência é oposta à registrada nas demais categorias, em que o crescimento em relação a setembro é maior do que o em relação a outubro de 2001. Com isto, a participação dos carros populares, que antes da mudança do IPI era de 77% da venda total dos carros no país, caiu para 56,6% em outubro.