Preços devem continuar em alta em novembro

Industriais estariam reivindicando segunda rodada de reajustes, já que a maioria dos últimos aumentos de preços ainda reflete dólar a R$ 3,00

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SÃO PAULO – O consumidor tem notado no bolso que o custo das mercadorias tem subido desde agosto, mas foi em outubro que o aumento dos preços se intensificou, com a cesta básica chegando a acumular alta de 5,88%, sua terceira maior alta desde a introdução do Plano Real em agosto de 1994.

Com a queda de 6,78% do dólar nos últimos sete dias, a moeda norte-americana voltou para o patamar entre R$ 3,50 e R$ 3,60, animando muitos consumidores, que já acreditam que os preços possam se estabilizar, ou até mesmo recuar no caso dos aumentos mais excessivos. Apesar do dólar estar em alta desde junho, a remarcação de preços só se intensificou em outubro, quando ficou claro que a moeda não iria recuar abaixo dos R$ 3,00 tão cedo.

Dólar teria que cair abaixo de R$ 3,00

Segundo os industriais, boa parte dos reajustes aplicados neste último mês reflete a expectativa de que o dólar se mantivesse em R$ 3,00, cotação em que se encontrava em julho quando as negociações entre varejistas e industriais começaram. Como a probabilidade do dólar recuar abaixo dos R$ 3,00 antes do final do ano é bastante remota, pois depende do anúncio de medidas concretas por parte do novo governo, é provável que aconteça uma segunda rodada de reajustes em novembro.

Os industriais também lembram que as matérias primas usada na fabricação dos produtos que estão sendo vendidos agora foram importadas em setembro ou outubro, a um custo médio de R$ 3,80, cerca de 8,5% acima da cotação atual do dólar. Este seria o caso, por exemplo, dos setores de alimentos e eletroeletrônicos. Os fabricantes de óleo de soja e frango, assim como de alguns eletrônicos já teriam contatado os principais supermercados do país avisando sua intenção.

Apesar dos fabricantes pagarem pelos insumos importados com base no dólar na data de importação, os varejistas se recusam a usar esta cotação para negociar o preço ao consumidor. É esta disputa que tem levado alguns varejistas a trocar produtos nas suas prateleiras, pois aceitar o aumento dos preços implicaria em abrir mão de vendas, já que diante dos aumentos o consumidor compra menos.

Alimentos e eletrônicos

Os setores que mais têm remarcado seus preços são os de alimentos e eletrônicos. No caso do setor de alimentos, algumas das commodities usadas na fabricação de produtos como pãozinhos, massas, biscoitos e óleo de soja são importadas e, portanto têm sua cotação determinada com base no dólar do dia.

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No caso dos itens não perecíveis como óleo de soja e massas, isto significa que o produto foi fabricado com um custo mais alto. Desta forma, os últimos reajustes de 10% a 25% em alguns destes produtos não embutiriam a alta do dólar desde julho, estimada em cerca de 17%.

Esta também seria a situação dos fabricantes de eletroeletrônicos. Segundo, o presidente da Arno, Márcio Cunha, uma das maiores fabricantes de eletrodomésticos no país, os reajustes são inevitáveis se o dólar não cair abaixo de R$ 3,00. Os fabricantes de geladeiras já tentam reajustar os preços em 15%, apesar de terem remarcado o preço do eletrodoméstico em julho.

Diante desta situação, o consumidor deve continuar pesquisando preços como forma de reduzir o impacto no seu orçamento, afinal como pudemos constatar nas pesquisas da cesta básica a diferença de preços pode superar os 100%.