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SÃO PAULO – O fechamento do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de 2007, divulgado nesta sexta-feira (11) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), traduziu em números o que o brasileiro sentiu no bolso ao longo de todo o ano passado: o preço dos alimentos acelerou 9,57 pontos percentuais entre 2006 e 2007, com a variação passando de 1,22% para 10,79% no intervalo entre os dois períodos. O grupo respondeu pela metade da variação geral, que foi de 4,46%.
Apenas para se ter uma idéia, o aumento há muito não visto desses produtos inverteu a tendência de desaceleração no IPCA, que havia sido registrada nos últimos cinco anos. Sobre 2006, quando a inflação ficou em 3,14%, houve aumento de 1,32 ponto percentual.
Produtos e comportamento
De acordo com técnicos do IBGE, os alimentos tiveram peso de 21,44% na despesa das famílias. O item carnes (22,15%) deteve a maior contribuição: 0,39 ponto percentual. Em seguida, veio o item leite e derivados, com alta de 19,79% e contribuição de 0,36 ponto percentual. Os preços dos feijões chegaram a aumentar, em média, 109,20% e tiveram o terceiro maior peso no grupo, de 0,31 ponto percentual.
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Ainda, da variação de 10,79% dos alimentos, 3,93% ficaram no primeiro semestre e 6,60%, no segundo. A alta dos alimentos é atribuída, basicamente, aos seguintes fatores: condições climáticas desfavoráveis, com chuvas intensas no primeiro semestre e longa estiagem no segundo, preços elevados dos produtos cotados no mercado internacional, aumento das exportações, favorecido por problemas climáticos em países produtores, redução de safra por baixa remuneração em períodos anteriores, e aumento da demanda por alimentos, tanto interna quanto externa.
Contribuição negativa
Os preços dos produtos não-alimentícios, que pesam 78,56% no IPCA, aumentaram 2,83% em 2007, o menor aumento desde 1998, que foi de 1,56%, e resultado igualmente inferior ao de 2006, quando ficou em 4,23%.
Itens considerados como importantes no consumo das famílias chegaram a ter queda. Um exemplo é a conta de luz, que ficou em média 6,16% mais barata. O telefone fixo, por sua vez, fechou o ano com variação de 0,34% – proporção classificada pelos técnicos do IBGE como “relativamente baixa”.
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O comportamento foi justificado, sobretudo, pelos seguintes fatores:
- câmbio em queda, o que favoreceu o custo dos importados, estimulou a concorrência e levou à redução das tarifas de energia elétrica;
- aplicação de índices de correção específicos em substituição aos gerais (ex.: telefonia, com a criação do IST);
- alteração de metodologia de cobrança das contas de telefone fixo de pulso para minutos, com redução em algumas regiões;
- inexistência de reajuste nos preços da gasolina – o último ocorreu em 2 de março de 2006, e inexistência de reajuste nas tarifas de ônibus urbanos e outros serviços públicos em algumas regiões pesquisadas.
Na outra ponta, foram destacados produtos não-alimentícios que continuaram a impulsionar o IPCA: cigarros (9,65%), planos de saúde (8,11%), colégios (5,04%) e ônibus urbanos (4,68%), entre outros.