Preço do GNV cairá pelo menos 5% ainda este ano em São Paulo

Em 2010, preço deve se reduzir ainda mais, com possível estímulo do governo para adoção de combustível menos poluente

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SÃO PAULO – O GNV (Gás Natural Veicular) deve ter uma redução de preço de ao menos 5% até o final deste ano no estado de São Paulo. De acordo com a Arsesp (Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo), as concessionárias Comgás e Gás Natural SPS tiveram redução nas tarifas de, respectivamente, 6,43% e 7,46%.

Se a estimativa se comprovar, o preço do metro cúbico de GNV no estado, hoje em média de R$ 1,50, pode cair para aproximadamente R$ 1,42.

Para o coordenador do Comitê de GNV do IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis), Rosalino Fernandes, com a queda nas tarifas às concessionárias, a redução no preço final do combustível deve ser repassado quase integralmente ao consumidor. “O posto tem de pagar ICMS, sem contar seus outros custos operacionais. Mas o preço final deve se reduzir na mesma proporção. No máximo, pode ocorrer cerca de 1% de margem do posto”, disse Fernandes.

Fernandes afirma que o consumidor deve se beneficiar dos preços mais baixos dentro de uma ou duas semanas – assim que esgotar o combustível pelo qual os donos dos postos pagaram mais caro.

2010 com queda nos preços
O coordenador do IBP declarou que o ano de 2009 não foi muito bom para o setor.”Isso levou a uma série de reuniões com o governo, Petrobras, Ministério das Minas e Energias e concessionárias, a fim de estabelecer condições para aumentar a competitividade do gás diante dos demais combustíveis”, declarou.

Fernandes aponta dois motivos principais que podem influenciar a queda nos preços do GNV em 2010. Um deles é o investimento gradativo que a Petrobras vem fazendo para levar gás da bacia de Santos para São Paulo e para o Sul do País. “Hoje, essa região importa gás da Bolívia, que está vendendo mais barato que a Petrobras. Mas, com essa entrada, a estatal brasileira terá uma posição privilegiada para oferecer preços mais baixos que o boliviano”, disse.

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Além disso, como o preço do gás em todo o mundo vem caindo, a Petrobras deve reduzir seu preço também. “Se ela não fizer isso, as concessionárias começarão a pedir na ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) para importar de outros países que vendam mais barato”, prevê Fernandes.

Copenhague e a redução dos poluentes
A cúpula das Nações Unidas pelas mudanças climáticas, que ocorre até o dia 18 de dezembro em Copenhague, na Dinamarca, é o outro motivo apontado por Fernandes para a queda no preço do GNV nos próximos anos. Com um possível acordo, os países devem se comprometer com a redução da emissão de gases do efeito estufa.

“O que se constata hoje é que a molécula do GNV tem apenas um átomo de carbono. Logo, ao lado das demais formas de energia menos poluentes (etanol, eletricidade, energia eólica, solar), teremos uma sociedade em busca de combustíveis com baixo nível de carbono”.

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Fernandes admite que o preço será sempre o fator que mais pesará na decisão do consumidor, na hora de escolher o combustível para seu veículo. “O usuário sempre vai buscar o mais interessante ao seu bolso. Mas haverá, então, incentivo do governo, com políticas nacionais, para estimular o combustível que emita menos carbono na atmosfera”.

Custo x benefício
Atualmente, para converter um veículo leve para GNV, o custo é entre R$ 2 mil e R$ 3 mil. Fernandes afirma que, para um motorista que rode aproximadamente 120 quilômetros por dia, a economia gerada pelo GNV compensa o investimento na conversão em apenas 30 dias.

“Os motoristas que dirigem 50 quilômetros por dia podem levar entre dois e três meses para recuperar o investimento”, estima Fernandes, considerando os preços médios de todo o Brasil em 5 de dezembro, divulgados pela ANP (R$ 1,61 o metro cúbico do GNV, R$ 170 o litro do álcool e R$ 2,48 o litro da gasolina).