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SÃO PAULO – Do total de brasileiros considerados pobres, 27% conseguiram, por algum momento, escapar da pobreza entre 1993 e 2003, enquanto os outros 73% estancaram na pobreza crônica. A constatação é do estudo intitulado Distinguindo a pobreza crônica da transitória no Brasil, realizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
O estudo considerou como pobres os grupos cujos rendimentos ficaram abaixo de 60% da mediana da renda per capta domiciliar, que em 1997 foi de R$ 130 e, em 2003, foi de R$ 120.
De acordo com o pesquisador Rafael Perez Ribas, um dos autores da pesquisa, a pobreza transitória acontece quando há um choque na renda familiar – por exemplo se um membro da família fica desempregado por algum tempo -, mas ela tem como sair da situação. Já na pobreza crônica é quando, por outro lado, um dos membros fica mais de dois anos sem arranjar emprego, porque algum fator torna isso difícil.
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Constatações
Divulgado pela agência PrimaPágina, o levantamento constatou, ainda, que os mais propensos à chamada pobreza crônica são os menos escolarizados, os residentes da região Nordeste, os trabalhadores informais, os negros e pardos.
A pesquisa também analisou os grupos individualmente e percebeu que as pessoas mais velhas têm menos chances de ser cronicamente pobres, de permanecer pobres e de se tornarem pobres.
As mulheres estão em maior proporção entre os pobres e entre os que mais permaneceram pobres no período analisado. Grupos que completam ensino médio ou superior têm 15% menos chances de permanecer pobres que outros grupos, e a probabilidade de entrar na pobreza é 5% maior entre os que não completaram o ensino fundamental.
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A pobreza também é maior no Nordeste, onde as pessoas têm maior probabilidade de nascer e permanecer pobres.
Soluções
Segundo o pesquisador, para reverter a pobreza crônica é preciso investir em políticas para áreas específicas – como educação, saúde e combate à discriminação racial – e programas de transferência de renda.
Ele explica que a pobreza crônica muito elevada indica que os pobres não estão tendo capacidade de gerar renda por si mesmos, por isso há necessidade de programas de geração de emprego e renda, mas apenas eles não são suficientes. Ribas afirma, ainda, que é necessário aliar políticas de formação de capital humano e acesso a serviços públicos com transferências que reduzam diretamente a insuficiência de renda das famílias.
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Amostra
O estudo usou dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), de 1993 a 2003, e dividiu a população adulta em 180 grupos, levando em consideração data de nascimento, sexo, cor, escolaridade e a região do domicílio.