Petrobras não descarta alta no preço do gás natural

No mesmo dia, representantes do setor haviam dito o contrário. Não foram dados, contudo, detalhes sobre o percentual desse aumento

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SÃO PAULO – Diferentemente do que foi informado por representantes do setor, a Petrobras informou, na última quarta-feira (31), que não descarta a possibilidade de haver uma alta no preço cobrado pelo gás natural. As declarações vieram no mesmo dia em que a estatal reduziu em 17% o abastecimento do combustível de São Paulo e Rio de Janeiro e foi obrigada, judicialmente, a restabelecer o abastecimento ao Estado fluminense.

De acordo com Graças Foster, diretora de Gás e Energia da Petrobras, a elevação do preço internacional do barril de petróleo faz com que a defasagem em relação ao gás natural seja “retirada gradativamente”, porque o custo de produção de petróleo e de gás tem sido crescente no mundo inteiro. Não foram dados, contudo, detalhes sobre o percentual desse aumento.

Custos

Em janeiro de 2003 o Brasil tinha 5 mil quilômetros de gasodutos. A estimativa é que ao final de 2007 haja mais 1,2 mil quilômetros. Para 2009, a previsão é de expansão de mais 3,5 mil quilômetros.

“O custo disso é muito alto. A taxa diária de sonda tem valores que variam hoje de US$ 500 mil a US$ 1 milhão. Existe um investimento muito grande em exploração e produção, e em abastecimento”, disse à Agência Brasil. O gás natural é utilizado em residências, como combustível automotivo, por indústrias, comércios, entre outros.

Na Justiça

A Petrobras informou ainda que recorrerá da liminar que garantiu às distribuidoras de gás do Rio de Janeiro – CEG e CEG Rio – o restabelecimento do volume de abastecimento. Graça Foster explicou que a decisão do corte teve o objetivo de atender à entrada em funcionamento de usinas térmicas para geração de energia elétrica, anunciada pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico).

“Sempre que nós precisarmos de gás acima do volume contratado, se houver uma demanda térmica, nós negociaremos o corte com as distribuidoras de gás afetadas”, explicou.

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Decisão

Pela decisão da Petrobras, as distribuidoras fluminenses perderam 1,3 milhão de metros cúbicos diários de gás natural, o que fez com que 90 postos de GNV ficassem desabastecidos.

Enquanto isso, na Comgás (Companhia de Gás de São Paulo), o corte foi de um milhão de metros cúbicos. A empresa paulista disse que acatará a mudança e já entrou em acordo com alguns de seus clientes para a troca de sua base energética.