Paulistanos de baixa renda sentem mais a alta do custo de vida

Enquanto o índice geral do semestre ficou em 3,62%, para as famílias de menor poder aquisitivo, a taxa atingiu 4,54%

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SÃO PAULO – Os paulistanos viram os preços subirem 3,62% nos seis primeiros meses deste ano. A taxa foi mais sentida no bolso das famílias de baixa renda, pertencentes ao estrato 1.

As informações, divulgadas nesta quinta-feira (3), fazem parte do ICV (Índice de Custo de Vida), apurado mensalmente pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos).

Por renda

Segundo o levantamento, o ICV para o estrato 1 (composto por um terço das famílias mais pobres, que contempla os domicílios nos quais a renda média salarial fica em R$ 377,49 ao mês) registrou variação de 4,54% no semestre. Considerando apenas junho, a variação foi de 1,48%, 0,20 ponto percentual acima de maio.

Para as pessoas inseridas no estrato 2 (famílias de nível intermediário, com rendimento médio de R$ 934,17 mensais), os preços subiram 3,84% no semestre. No mês, a variação foi de 1,21%, alta de 0,16 p.p. em relação ao mês anterior.

Considerando o estrato 3 (que reúne as famílias de maior poder aquisitivo, cuja renda média é de R$ 2.792,90 por mês), o Dieese aponta que o custo de vida avançou 3,27%, no primeiro semestre deste ano. Em junho, a elevação foi de 0,72%, ou seja, 0,04 p.p. acima do quinto mês de 2008.

Variações mensais

As variações de preços dos bens e serviços no mercado consumidor final, associadas às diferentes formas de despender dos paulistanos resultaram em impactos inflacionários distintos no mês de junho, de acordo com o poder aquisitivo das famílias que compõem os vários estratos de renda.

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Os aumentos nos alimentos prejudicaram mais as famílias de baixo poder aquisitivo (estrato 1), com contribuição de 1,28 p.p. no resultado de sua taxa (1,48%).

Fenômeno semelhante foi observado no estrato 2 (1,21%), cuja contribuição foi da ordem de 1,05 ponto percentual. Estes impactos acentuados têm origem na forma de despender destas famílias, cujos gastos com alimentação representam 37,16% para as do 1º estrato e 32,42% para as do 2º estrato.

O efeito dos reajustes nos alimentos no cálculo da inflação do 3º estrato foi de 0,55 p.p., bem inferior aos demais; o motivo está no peso menor que este grupo de despesa representa para as famílias de maior renda (23,23%).

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12 meses

Nos últimos 12 meses – entre julho de 2007 e junho de 2008 – o ICV acumula alta de 5,82%. Ao se considerar os diferentes estratos de renda, a taxa maior foi apurada para as famílias mais pobres, do estrato 1 (7,83%). Para as famílias do estrato 2, o aumento da inflação fica em 6,52%, enquanto para aquelas com maior poder aquisitivo corresponde a 4,99%.