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SÃO PAULO – Preços de panificados, massas e biscoitos devem subir mais ao longo do ano. A previsão é da Associação Brasileira das Indústrias do Trigo (Abitrigo), com base na falta da matéria-prima da farinha no mercado externo, assomada à baixa produção brasileira. “O Brasil não tem trigo disponível para atender à demanda, precisamos importar”, explicou o presidente da entidade, Samuel Hosken.
Conforme Hosken, o governo argentino fechou os registros de exportações do cereal, como forma de controlar os preços praticados naquele país. “E a produção brasileira vem caindo nos últimos três anos”, adicionou, afirmando que em 2004 foram 5,9 milhões de toneladas, total que caiu para 2,3 milhões em setembro do ano passado, data da última colheita.
Preços
Diante desse cenário, o presidente da Abitrigo explicou que, atualmente, pagam-se US$ 255 pela tonelada de trigo, total que chegou a ser de US$ 140 dólares. “A indústria do trigo não trabalha com estoques, assim que tem um aumento de preço, precisa repassá-lo, então, automaticamente, sobe o preço da farinha. Onera o consumidor”, adicionou.
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De acordo com Hosken, o preço cobrado pela farinha de trigo aumentou 15% nos últimos dois meses. Já entre janeiro e junho, de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), da Fundação Getúlio Vargas, o encarecimento acumulado é de 3,21%.
Quanto à proporção de encarecimento dos produtos feitos com a matéria-prima, como é o caso do biscoito, das massas e panificados, não é possível fazer uma projeção. “É necessário ver quanto que cada produto possui de farinha de trigo em sua composição. Isso varia muito”, explicou.
O pão de sal
De acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias de Panificação de São Paulo, Antero Pereira, o preço do pão de sal não deve se alterar em breve, mesmo com os encarecimentos do trigo e, conseqüentemente, de sua farinha. “As padarias devem absorver esse prejuízo e analisar o movimento do Mercado”, adicionou.
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Conforme Pereira, na capital paulista, o quilo do pão custa de R$ 4 a R$ 7, dependendo da localização. “Já estamos há três anos sem aplicar reajustes”, explicou. De acordo com o IPC-S, da FGV, no ano, o pão francês acumula barateamento de 0,07%.