Pães e massas podem ficar mais caros devido à retaliação aos EUA

De acordo com Abitrigo, aumento da tarifa de importação de 10% para 30% afetará mais regiões de renda mais baixa

Publicidade

SÃO PAULO – O aumento da tarifa de importação sobre o trigo proveniente dos Estados Unidos poderá ter impacto nos preços dos derivados, como massas e pães, de acordo com a Abitrigo (Associação Brasileira da Indústria do Trigo).

Na segunda-feira (8), a Camex (Comissão de Comércio Exterior) divulgou uma lista de produtos de origem norte-americana cujo Imposto de Importação será majorado e, dentre eles, estava o trigo, que terá a alíquota elevada de 10% para 30%.

“Caso o Brasil seja obrigado a importar trigo neste ano, como tem ocorrido nos anos passados, a elevação da tarifa de importação para 30% terá um impacto sobre os preços dos derivados, particularmente para uma região de renda mais baixa, como é o caso do Nordeste”, disse a Abitrigo em nota.

Na falta do trigo brasileiro, o mercado recorre ao argentino, cujo fornecimento tem sido incerto. Nestes casos, uma das fontes de suprimento preferida é os Estados Unidos, por motivos de preço, qualidade e, sobretudo, proximidade do mercado consumidor, no caso dos moinhos do Nordeste.

Alíquotas maiores
No ano passado, a OMC (Organização Mundial do Comércio) concedeu o direito ao Brasil de retaliar os Estados Unidos por conta de subsídios ilegais dados pelo governo norte-americano aos seus produtores de algodão.

Desta forma, o governo brasileiro divulgou uma lista com produtos que teriam a tarifa de importação majorados. A lista aprovada equivale apenas a US$ 591 milhões, sendo que os US$ 238 milhões restantes devem ser aplicados como retaliação cruzada, que abrange os setores de serviços e de propriedade intelectual. Vale lembrar que outras negociações podem ser feitas e que a lista pode ser mudada. 

Continua depois da publicidade

Na divulgação da lista, a secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Lytha Spíndola, descartou que o aumento da tarifa do trigo poderia causar problemas, uma vez que o Brasil conta com mercados alternativos para a compra do produto.

“Esse assunto foi estudado com o Ministério da Agricultura e examinada a necessidade de importação do Brasil. Nós temos uma produção interna que aumentou e temos fornecedores, como a Argentina, o Uruguai e o Canadá, além de outros mercados”, afirmou, segundo a Agência Brasil.