Orçamento: por que é tão difícil atingir as metas de fim de ano?

Especialistas citam fatores culturais e resistência a mudanças como principais barreiras para alcançar os objetivos propostos

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SÃO PAULO – A chegada de um novo ano é altamente inspiradora. É comum nessa época definir metas, sejam elas de cunho amoroso, sejam profissionais ou financeiras. Do lado das finanças pessoais, alguns querem se livrar das dívidas, outros começar a investir e outros querem se tornar consumidores mais controlados. Metas, metas e mais metas. Mas por que é tão difícil atingi-las?

Descobrir o que nos atrapalha nesse caminho, que vai desde o momento em que definimos os objetivos até a plena realização deles, possivelmente vai contribuir para que essas metas de final de ano de fato se concretizem.

Antes de mais nada, o educador financeiro Mauro Calil, do Centro de Estudos e Formação de Patrimônio Calil&Calil, analisa que o maior problema está relacionado à insistência em manter os velhos hábitos. “As pessoas têm valores e crenças muito arraigadas, que geram bloqueios” afirma Calil.

Na prática, isso quer dizer que a resistência em modificar os hábitos é a principal barreira para atingir as metas. Um exemplo clássico é a aversão ao planejamento: quando a pessoa considera que sentar e planejar as metas é algo ‘chato’, isso já vai atrapalhar na conquista.

A grande jogada
O fator cultural também tem grande peso nesse processo. “O que de fato acontece é que a nossa cultura privilegia a grande jogada”, explica Calil. Isso quer dizer que temos uma forte tendência a olhar apenas as conquistas grandes e o resultado final, desconsiderando o planejamento e o esforço necessários para atingi-los.

“A gente vê o César Cielo só na hora da prova, na hora do pódio, mas não o vemos treinando”, analisa o educador financeiro. E é exatamente desse esforço e desse treino que precisamos para atingir as metas. A prática em fazer planejamento evita estipularmos metas absurdas, por exemplo. De acordo com Calil, “metas muito distantes já criam inconscientemente uma crença de que não serão atingidas”.

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As metas precisam ser factíveis e é através do treino e da prática que os consumidores adquirem a sensibilidade suficiente para fazê-las assim.

Falta de sonhos
O educador financeiro e autor do livro Ter Dinheiro Não Tem Segredo (Ed. DSOP), Reinaldo Domingos, observa que uma das barreiras para se atingir as metas é que as pessoas privilegiam as despesas, ao fazer seus orçamentos. Na prática, o pensamento mais comum é priorizar os gastos, usando o dinheiro que sobrar para fazer alguma coisa que se deseje.

No entanto, a melhor estratégia é definir e priorizar os sonhos, pois são eles que vão fazer com que todos os esforços se dirijam para a realização da meta. Para que isso seja feito, Reinaldo aconselha que se reúna a família e decida, sempre em conjunto, os sonhos. Mas lembre-se de definir os sonhos coletivos e os individuais.

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Depois, estipule o quanto será necessário para atingir esse sonho, definindo inclusive o que cada um precisa fazer para chegar lá. A existência de um sonho é importante, pois isso mexe com o psicológico das pessoas, com o emocional de toda a família, explica Domingos. “Os sonhos canalizam as forças, são motivos maiores que o estimula a chegar a algum lugar”, analisa o educador financeiro.

Não saia do seu mundo
Outro grande erro ao perseguir as metas estipuladas é a falta de adequação delas ao padrão de vida. As metas e objetivos devem ser adequados à realidade da pessoa. Na prática, isso quer dizer que não se deve pensar que, para fazer aquela grande viagem, você precisa trabalhar mais. O certo é que, para conquistar seus objetivos, você só precisa administrar melhor suas finanças. Para isso, deve-se começar com um diagnóstico financeiro. “É ele que vai mostrar qual a situação financeira daquele momento”, explica Domingos.

A sugestão para esse momento é colocar em um papel tudo que já está comprometendo a sua renda até dezembro de 2012. Nesta lista, entram as parcelas dos presentes de Natal, os gastos com IPTU, IPVA, o dinheiro que será gasto com os eventos sazonais, ou seja, Dia das Mães, dos Pais, das Crianças. Também devem ser incluídos as parcelas do material escolar ou um casamento que vai acontecer. Enfim, tudo que comprometerá sua renda.

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Só com essas informações a mão você conseguirá descobrir qual a sua verdadeira realidade financeira.