Orçamento: idosos podem ter índice de inflação próprio

Diferente composição de gastos justificaria criação de novo indexador, como nos EUA, que poderia ser usado no reajuste do valor das aposentadorias

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SÃO PAULO – Mesmo com a inflação sob controle há quase uma década, as diferenças de preços em produtos similares é tanta que a pesquisa de preços passou a fazer parte da rotina da maioria dos brasileiros, que se preocupam em manter o orçamento equilibrado.

Pesquisa de preços é prática comum

Dentre a parcela da população que mais se dedica ao hábito de pesquisar preços, os aposentados se destacam. Com mais tempo em mãos e mais preocupados com os gastos do que o resto da população, eles não poupam esforços para identificar produtos mais baratos, mesmo que isto signifique visitar vários supermercados.

A preocupação se justifica, afinal segundo dados do próprio ministério da Previdência Social, cerca de 70% dos 21 milhões de aposentados recebem no momento um rendimento de R$ 240, equivalente ao salário mínimo, sendo que o valor do benefício médio recebido pelos aposentados do INSS é de R$ 370.

Além de positiva para o bolso, a iniciativa de pesquisar preços também faz bem à saúde, pois estudos indicam que aos idosos que saem de casa e têm alguma atividade e se integram à sociedade estão menos sujeitos à doenças neuropsiquiátricas, como a depressão, por exemplo.

Correção mais justa de aposentadoria

Como era de se esperar, a composição dos gastos do orçamento das pessoas com mais de 60 anos tende a ser diferente daquela do resto da população, afinal, enquanto gastam menos com transporte, tendem a gastar muito mais com saúde, por exemplo.

Na tentativa de estimar a inflação do orçamento desta parcela da população, já existem instituições de pesquisa estudando a possibilidade de se divulgar um índice de inflação voltado a esta parcela da população.

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Esta é a opinião, por exemplo, do coordenador do IPC-FIPE, Heron do Carmo, que lembra que índices desta natureza já são calculados em países como os EUA. Além disto, o novo índice poderia ser usado para reajuste de aposentadorias, garantindo de forma mais eficiente a preservação do poder aquisitivo desta parcela da população do que outros indicadores que não levam em conta a especificidade dos gastos dos idosos.

Aqui vale ressaltar que, diante da deterioração do mercado de trabalho, com aumento do desemprego entre a população ativa, muitos aposentados se tornaram arrimo de família. De forma que a iniciativa acabaria beneficiando não somente à parcela da população que têm mais de 60 anos, cerca de 8% dos brasileiros, mas também seus dependentes.

Gastos diferenciados

Na tentativa de ilustrar as diferenças na composição dos gastos das pessoas com mais de 60 anos frente aos gastos do resto da população, o coordenador do IPC-FIPE comparou a participação de algumas despesas no orçamento dos idosos com a participação normalmente usada na elaboração do IPC (Índice de preços ao consumidor).

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Grupo de despesa % no orçamento de idosos % orçamento geral
Habitação 31,64% 32,79%
Alimentação 19,91% 22,73%
Transportes 13,20% 16,03%
Despesas pessoais 13,57% 12,30%
Saúde 12,87% 7,08%
Vestuário 5,07% 5,29%
Educação 3,73% 3,78%

Fonte: Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas

Na tabela acima pode-se constatar, por exemplo, que os gastos com saúde são cerca de 80% mais elevados do que no resto da população, de forma que aumentos nos preços de remédios ou reajustes nos planos de saúdes têm impacto muito mais forte no orçamento dos mais idosos.

De forma a compensarem o maior gasto com saúde, os idosos tendem a economizar em outros itens, como alimentação, habitação e transportes. No caso deste último, acabam se beneficiando do fato de que os passes de metrô e ônibus são gratuitos.