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SÃO PAULO – A vida da mulher moderna está cada vez mais difícil, é verdade que sua participação no mercado de trabalho aumentou e já atinge os 45% da população economicamente ativa nas grandes regiões metropolitanas do país, que a diferença salarial, apesar de ainda existir, diminuiu com relação aos homens, que 20% das mulheres têm nível superior, mas estas conquistas não vieram sem muito sacrifício, e na maioria dos casos com mais responsabilidades.
Cerca de 13% das mulheres são chefes de família
Ainda que defasados, os dados do Censo 2000 são os mais recentes para se realizar uma fotografia da participação da mulher no sustento das famílias brasileiras. Tomando como base os dados do Censo 90 e 2000 pode se verificar que o percentual de mulheres que chefiavam domicílios no país subiu de 18% para 24,9% na década de noventa.
Que as mulheres já contribuíam significativamente no orçamento familiar todos sabiam, o que impressiona é a divulgação de que um quarto das famílias é de fato sustentada por mulheres. Além disto, o Censo constatou que do total das 86,2 milhões de brasileiras, 12,8% são chefes de família, um crescimento significativo frente ao percentual do início da década de 90, quando apenas 8,5% das brasileiras estavam nesta situação.
De acordo com o IBGE o critério para definir quem é chefe de família baseia-se no rendimento, isto é, quem ganha mais na família, visto que a renda do chefe da família corresponde a 70% do orçamento da família, no caso das famílias chefiadas por mulheres este percentual é ainda maior.
Renda média aumentou, mas a maioria ganha menos de R$ 300
A boa notícia fica por conta do fato de que a renda média desta parcela da população aumentou 60% durante a década de 90, passando de R$ 365 em 1991 para R$ 591 no final da década. Isto significa que no início da década estas mulheres ganhavam pouco mais de um salário mínimo, mas agora ganham cerca de 3,3 salários.
Contudo, cerca de 50% destas mulheres ainda têm um rendimento abaixo de R$ 276, esta é a chamada renda mediana de acordo com o IBGE, que divide ao meio o universo de 11,1 milhões de mulheres que são chefes de família. Apesar da renda mediana ter aumentado ainda mais do que a renda média (78%), ela ainda é extremamente baixa e equivale a pouco mais de 1,5 salário mínimos.
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Dentre as razões para o aumento da percentagem de famílias chefiadas por mulheres estão o aumento da expectativa de vida das mulheres e do número de casamentos ou uniões desfeitos. O aumento do número de casamentos desfeitos não é novidade e há tempos tem marcado as relações entre homens e mulheres. Boa parte das mulheres chefes de família (40,7%) têm entre 30 e 49 anos, exatamente a faixa etária quando a maior parte dos divórcios acontecem (60%).
O aumento da expectativa de vida também contribui para o crescimento do percentual das chefes de família, visto que 30% das famílias com chefes de família mulheres têm mais de 60 anos. Isto reflete a maior expectativa de vida das mulheres, de 72,6 anos, frente aos 64,8 anos para os homens. Diante destes números tudo indica que boa parte das chefes de família são divorciadas e viúvas, pois enquanto 18% das mulheres nesta situação vivem sozinhas isto só acontece com 6,2% dos homens na mesma situação.
Para os analistas isto reflete o fato de que os homens têm dificuldades em executar tarefas domésticas. Aliás, no que se refere a trabalhos domésticos, 90% das chefes de família se ocupam destes afazeres, apesar das conquistas a jornada dupla ainda é uma realidade para a maioria das mulheres.