Nova remuneração da poupança deverá reduzir custo do crédito, diz Mantega

Ao permitir que os bancos captem a custos menores, alteração vai promover liberação de empréstimo a custos menores

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SÃO PAULO – Mudanças na remuneração da poupança deverão promover uma redução no custo do crédito em geral, conforme espera o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Com o novo sistema de remuneração, os bancos poderão captar poupança a um custo menor, permitindo a liberação de empréstimos a custos mais baixos.

O ministro entende que os bancos, para manter e atrair clientes, deverão reduzir seus custos financeiros. E a queda de parte da remuneração da poupança vai permitir que os bancos emprestem a juros menores, segundo informações da Agência Brasil.

Fundos de investimentos
Mas não só os empréstimos que deverão ser afetados com as mudanças. Os fundos de investimentos, para segurar seus clientes, também deverão reduzir suas taxas de administração. Isso porque, dependendo do patamar da Selic (taxa básica de juros), os fundos poderão render menos que a poupança.

De acordo com estimativas apresentadas pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, em um cenário em que a taxa básica de juro estiver em 8% ao ano, a poupança renderá 5,6% ao ano e um fundo com taxa de administração de 0,5% do valor investido pagará 5,7% no mesmo período.

Logo, se a taxa de administração for maior, o fundo renderá menos que a poupança. Vale destacar que a simulação do ministro leva em conta um fundo que paga 100% da variação da Selic e é tributado pelo Imposto de Renda. Os fundos, portanto, não terão outra alternativa senão reduzir as taxas de administração, caso o juro básico continue em trajetória de queda, conforme pondera Mantega.

Queda dos juros
A mudança da remuneração da poupança também vai permitir que o governo continue a baixar os juros sem que os grandes investidores migrem para a poupança e deixem de comprar, por exemplo, os títulos públicos. Além disso, deverá ampliar o alcance da política monetária, já que os aplicadores se sentirão estimulados a guardar dinheiro na poupança, quando o Banco Central aumentar o juro básico, e a gastar os recursos da caderneta, em momento de queda da Selic.

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Avaliação dos partidos
Os líderes da base governista e da oposição não têm a mesma opnião quanto às mudanças no rendimento da poupança. Para a oposição, conforme avaliou o líder do PSDB, deputado Bruno Araújo (PE), as alterações vão penalizar a parcela mais pobre da população, já que vai afetar especialmente os pequenos poupadores. Araújo entende que o governo deveria diminuir os impostos, ao invés de alterar tal remuneração.

Já o ex-líder do governo, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), avaliou as medidas como positivas e necessárias. Vaccarezza ressalta que as medidas ajudam a praticar juros bem mais baixos.