Natal: vendas podem acabar superando expectativas

Aumento das vendas em dezembro é em geral maior nos anos ruins, com consumidores extravasando desejo de consumo reprimido

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SÃO PAULO – A alta do dólar já é sentida no bolso de todos os consumidores, seja através do aumento do pãozinho francês, ou na hora de abastecer o tanque do carro. Diante do aumento dos preços e das incertezas que parecem dominar o cenário político-econômico do país, e mais recentemente o aumento dos juros, a maioria dos varejistas já aposta no chamado Natal Magro.

Dia da Criança desapontou

A julgar pelo resultado das vendas do Dia das Crianças, um dos melhores dias para o comércio durante o ano, este pessimismo até que se justifica. Apesar das inúmeras promoções e facilidade na hora do pagamento a verdade é que a maioria dos comerciantes não registrou qualquer crescimento nas vendas em relação ao mesmo período no ano passado.

Segundo a Serasa, entre os dias 6 e 12 de outubro, as vendas totais teriam crescido apenas 0,20% em relação ao ano passado. O crescimento ficou abaixo da expectativa dos comerciantes que esperavam crescimento de 3%. O consumidor estaria, portanto, mais cauteloso na hora de comprar com medo de acabar o ano atolado em dívidas.

Vendas crescem mais em anos ruins

Mas se depender do resultado dos estudos da Suporte Consultoria de Varejo, as vendas de final de ano podem acabar surpreendendo. Segundo os consultores, mesmo com a alta do dólar, da inflação e dos juros as vendas podem sim superar as expectativas. Em todos os anos as vendas aumentam em dezembro devido à chegada do Natal, mas em anos ruins de forte instabilidade, como 2002, este aumento tende a ser maior.

Nos supermercados, por exemplo, a análise das vendas históricas aponta para um crescimento de 35% nas vendas de dezembro em um ano bom em relação à média dos meses anteriores, enquanto em anos ruins este aumento é maior, de 48%.

A explicação seria bastante simples, cansado de economizar todo o ano, tentando não sair da linha, o consumidor aproveitaria esta época do ano em que recebe o décimo terceiro salário para compensar o desejo de consumo não realizado durante o resto do ano. Para o consultor Eugênio Foganholo seria um extravasamento do consumo represado.

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