Montadoras chinesas apostam no Brasil, mas valor de revenda ainda é menor

Por se tratarem de uma novidade no mercado nacional, os carros chineses ainda trazem muitas dúvidas aos consumidores

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SÃO PAULO – As montadoras chinesas estão apostando no Brasil e buscando espaço no concorrido mercado automobilístico nacional. De acordo com dados da Abeiva (Associação Brasileira das Empresas de Importadores de Veículos), as marcas originárias do gigante asiático foram responsáveis por 16,3% das vendas dos carros importados de marcas associadas à entidade em 2010, o que equivale a 17.266 dos 105.858 carros importados ligados à associação e comercializados no País no ano passado.

Mas, por se tratarem de uma novidade no mercado nacional, os veículos chineses ainda trazem muitas dúvidas, principalmente em relação à qualidade e ao valor de revenda.

De acordo com o diretor da agência AutoInforme, Joel Leite, ainda é cedo para traçar um quadro da aceitação do carro chinês no setor de usados, devido ao pouco tempo que eles estão no mercado. “Mas, de uma maneira geral, verificamos que a depreciação desses carros é um pouco maior do que a dos outros importados”, diz.

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Veja na tabela abaixo a depreciação média dos veículos chineses entre fevereiro de 2010 e o mesmo mês deste ano:

Índice de depreciação AutoInforme/Molicar (Fev/2010 – Fev/2011)
Marca Versão Depreciação
Jinbei Topic 2.2 8v Furgão  3p -13,5%
Jinbei Topic 2.2 8v Passageiro  3p -13,9%
Hafei Towner 1.0 8v Baú   4p -14,2%
Hafei Towner 1.0 8v Picape   2p -15,5%
Chana Family 0.9 8v  4p -16,6%
Hafei Towner  1.0 8v Passageiro  4p  -16,8%
Hafei Towner  1.0 8v Furgão  4p  -17,9%
Effa  ULC Furgão 1.0 8v  4p  -18%
Chana  Cargo picape cab. simples 0.9 8v  2p  -19%
Effa  ULC VAN 1.0 8v  4p  -19,6%
Chery  Tiggo 2.0 16v 4X2  4p  -19,9%
Chana  Furgão 0.9 8v  4p  -20,3%
Chana  Picape Cargo cab. dupla 0.9 8v  4p  -21%
Effa  M100 1.0 8v  4p  -21,7%
Efa  Picape ULC 1.0 8v  2p  -22%

Diferenciais
Para compensar as dúvidas e tentar acabar com o preconceito em relação aos automóveis chineses, as montadoras estão investindo alto e se preocupando em oferecer aos clientes produtos e serviços diferenciados. É o caso da JAC Motors, que chega neste mês ao País e vai inaugurar de uma única vez 50 concessionárias.

“A montadora vai oferecer o J3, um veículo completo, com vários equipamentos de série, inclusive air bag e ABS, e ainda vai dar seis anos de garantia ilimitada”, afirma Leite.

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Outra marca chinesa, a Chery, já aprovou a construção de uma fábrica no País. Segundo o especialista da Autoinforme, as montadoras da China se aproveitam de uma coisa muito importante no mercado nacional de veículos: o baixíssimo índice de fidelidade à marca.

“Aqui no Brasil, os consumidores não costumam se fixar em apenas uma marca de veículos. O índice de fidelidade à marca é muito baixo, em torno de 8,5%”, afirma Leite. “De uma maneira geral, o brasileiro aceita bem as novidades e isso é bom para essas marcas novas”, aponta.

Tempo para se fixar no mercado
O economista da Agência de Varejo Automotivo M.Santos, Ayrton Fontes, lembra que os automóveis de marcas asiáticas costumam demorar alguns anos para “caírem no gosto” do consumidor nacional.

“Isso é um um pouco histórico. Os carros de marcas orientais, de uma maneira geral, demoram um certo tempo para “emplacarem” no mercado nacional. Isso aconteceu com os veículos japoneses e com os coreanos também. Temos observado que esse período fica entre cinco e dez anos”, aponta.

Entretanto, com os automóveis chineses pode ser que o tempo seja menor. “Eles estão apostando em veículos mais baratos e no diferencial de serem mais completos”, ressalta.

Riscos
Mesmo com as vantagens de ter um carro completo por um preço similar ao dos automóveis populares nacionais e com todo o investimento das montadoras chinesas no País, o especialista do AutoInforme aponta que comprar um carro chinês ainda pode ser arriscado.

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“Não dá para dizer que não é um risco. É muito menos arriscado você comprar um Gol, por exemplo, que já está no mercado há 30 anos, e ter certeza que irá conseguir vendê-lo depois, se precisar, com uma desvalorização já esperada”, diz Leite.

Segurança
A segurança dos veículos é um dos itens mais questionados e apontados pelos consumidores em relação aos automóveis chineses. Mas, tanto para o diretor do AutoInforme quanto para o especialista da M.Santos, o consumidor não tem tanto com o que se preocupar.

“Esses carros precisam se adequar às normas do mercado nacional, por isso, seguem as regras daqui. Então, para poderem atuar no mercado brasileiro, eles têm de oferecem os itens necessários de segurança”, aponta Fontes.

Diego Lazzaris Borges

Coordenador de conteúdo educacional do InfoMoney, ganhou 3 vezes o prêmio de jornalismo da Abecip