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SÃO PAULO – O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior pôs fim à liberação automática na alfândega de veículos importados que chegarem ao Brasil.
A medida, segundo a Agência Brasil, vale apenas para veículos prontos. Agora, para serem liberados, eles precisarão de autorização para entrarem no País e o documento pode demorar até 60 dias.
Segundo a Agência, a medida tem por objetivo atingir a exportação dos produtos da Argentina ao Brasil. O país vizinho estaria retendo produtos brasileiros quando chegam ao país – o que tem gerado prejuízo às indústrias de vários segmentos.
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O ministro da pasta, Fernando Pimental, negou que a medida seria uma retaliação ao país vizinho. E segundo as normas da OMC (Organização Mundial do Comércio), a regra adotada tem de valer para todos os países. Dessa forma, o fim da liberação automática atinge a Coreia e o México, que também exportam automóveis para o mercado brasileiro.
Importação em crescimento
Pesquisa feita pela Fiesp, divulgada na última semana, mostra que o consumidor está gastando mais na compra de importados. A indústria nacional aproveitou apenas 35,9% do crescimento de 4% do consumo aparente. Já os produtos estrangeiros captaram 64,1% do mercado interno.
“Vemos um mercado interno robusto, mas não é a produção brasileira que está se beneficiando disso”, avaliou em nota o diretor-titular do Derex (Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp), Roberto Giannetti da Fonseca. “Para reverter esse quadro precisamos de medidas macroeconômicas, como uma política industrial competitiva, e estímulos à reação dos empresários”, observou.
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O coeficiente de exportação da indústria, que representa o volume total exportado sobre a produção, subiu 0,4 ponto percentual, de 17,1% para 17,5% nos três primeiros meses do ano, na comparação com o mesmo período de 2010. Já no coeficiente de importação da indústria, o avanço foi de 1,7 p.p. nesse mesmo período, ao passar de 19,9% para 21,6%.
Para Fonseca, o aumento das importações mostram que está havendo um processo de desindustrialização do País. “A desindustrialização ocorre quando há substituição da produção interna pela importada, e isso tem acontecido no Brasil de forma mais acelerada que em outros países”, avaliou. “A perda de competitividade da indústria é sistêmica, porque nesse processo o empresário deixa de investir e pode ficar defasado lá na frente. É preciso romper a inércia”.