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SÃO PAULO – Os aumentos no IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), praticados desde 3 de janeiro deste ano, não comprometem o mercado de crédito, segundo análise da Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento) e da Anef (Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras). As entidades prevêem que o avanço na liberação de dinheiro ao consumidor se mantenha na ordem dos 20% em 2008, a mesma proporção verificada nos últimos anos.
“Janeiro, por exemplo, foi recorde para a venda de carros. O nível de emprego e renda também está subindo, então se a pessoa tem a vaga garantida, o IOF não tem um impacto tão forte, que faça a pessoa deixar de consumir”, esclareceu o presidente da Acrefi, Érico Sodré. A comercialização de autos cresceu 40% no primeiro mês do ano, segundo a Anfavea (Associação Nacional das Fabricantes de Veículos Automotores).
Impactos nos juros
Em 3 de janeiro, o Decreto 6.339/08 reajustou o IOF em 0,38 ponto percentual para todas as operações nas quais o tributo incidia. Especificamente a pessoas físicas, foi dobrada sua incidência diária, de 0,0041% para 0,0082%, e estabelecida uma cobrança extra de 0,38% sobre o valor contratado.
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A alíquota diária do imposto é limitada a 365 dias. Portanto, se a pessoa toma um crédito por um período superior a esse, pagará apenas pelo prazo de um ano. Dessa forma, a alíquota geral passou de 1,5% para 3,88%. “O IOF foi majorado em 1,88 ponto percentual. Esse total dividido em 42 parcelas, por exemplo, tem um impacto tão diluído que não chega a conter a procura por crédito”, adicionou o presidente da Anef, Luiz Montenegro.
“O aumento na parcela é pequeno. Mas se o custo não tivesse sido aumentado, o comportamento do crédito poderia ser maior. Porque quanto mais baixo o custo, maior a procura”, completou Sodré.
Pesquisa feita pela Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade) mostrou que os juros ao consumidor já sofrem influência, entre outras coisas, do aumento do IOF: a taxa média cobrada inverteu sua tendência de queda e subiu para 7,23% ao mês em janeiro – a maior desde setembro do ano passado (7,25% ao mês).
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Sustentabilidade
De acordo com análise do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), o volume de crédito disponível para os consumidores atingiu 11,8% do PIB (Produto Interno Bruto) no ano passado, mostrando alta de três pontos percentuais frente aos 8,8% obtidos em 2005.
“Há sustentabilidade do crédito, na medida em que a renda da população segue aumentando, a inadimplência permanece baixa e os prazos de financiamento vêm sendo ampliados”, adicionou estudo. A entidade também prevê avanço na ordem de 20% na liberação de dinheiro ao consumidor.