Mercado de medicina estética explode no Brasil

Além das cirurgias plásticas, pequenas intervenções são cada vez mais procuradas por brasileiras que não economizam para ficar mais belas e jovens

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SÃO PAULO – Há dez anos, quando uma personalidade passava pelas mãos de um cirurgião plástico, ou se submetia a um tratamento de rejuvenescimento, a notícia permanecia dias nas principais colunas sociais e capas de revistas. Atualmente, são raras as personalidades que não procuram especialistas para recuperar uma aparência mais jovem. No Brasil, o número de tratamentos e procedimentos tem aumentando a uma taxa elevada, fazendo com que o país faça parte do grupo de nações com um dos maiores mercados de medicina estética do mundo.
Os milhões de reais movimentados anualmente por esse setor da economia não são oriundos apenas de grandes estrelas e socialites brasileiras. Pessoas comuns, com relativo poder aquisitivo, já freqüentam as clínicas de especialistas em medicina estética, como o Dr. Amilton Macêdo Araújo. “O número de mulheres que procuram tratamentos estéticos é muito maior hoje em dia. Além disso, elas estão gastando cada vez mais para ficar mais jovens e com uma aparência melhor”.
Pequenas intervenções eliminam o pós-cirúrgico

Apesar do país estar na lista dos primeiros no ranking do bisturi, o que está causando o maior frisson entre as mulheres com mais de 35 anos são as chamadas pequenas intervenções. “Com a vida moderna, as pessoas têm menos tempo para se cuidar e querem resultados mais rápidos”, afirma o Dr. Amilton. “As cirurgias plásticas estão mais acessíveis, mas as mulheres precisam se afastar do trabalho e ficar 40 dias em observação, sem poder tomar sol”.
É nesse sentido que os tratamentos menos agressivos e com pequenas modificações estão fazendo tanto sucesso entre as brasileiras. Entre as técnicas disponíveis no mercado, as mais conhecidas são o Botox, os preenchimentos e os peelings faciais. Segundo a administradora de empresas Jaqueline Penteado, o maior atrativo para essas novas técnicas é a diminuição de seus custos. “Não poderia ter feito o que eu já fiz se fosse alguns anos atrás”, conta Jaqueline, adepta do Botox e dos peelings superficiais.
Nos últimos dez anos, a redução média nos preços dos procedimentos foi da ordem de 50%, de acordo com a Sociedade Brasileira de Medicina Estética. Essa queda nos custos dos tratamentos foi provocada pela diminuição dos preços dos insumos e pelo aumento do número de médicos habilitados. No começo da década de 90, havia somente 600 médicos especializados em medicina estética. Hoje o mercado é disputado por aproximadamente 1.500 profissionais.
Tratamentos custam a partir de R$ 200

Além do Botox, injeção que utiliza a toxina butolínica para eliminar rugas e marcas de expressão, outro tratamento cuja popularidade vem aumentando no país é o preenchimento. Este último consiste num implante de acido hialurônico, que se mistura às fibras colágenas e melhora a qualidade e a aparência da pele. Comercialmente a substância é chamada de Restylane ou Rejuriderme e sua aplicação sai entre R$ 600 e R$ 800. “O resultado é instantâneo” garante o Dr. Amilton, que faz cerca de 20 aplicações desse tipo todos os meses. “Não existe contra-indicação e ela não provoca nenhuma alergia”.

Uma outra opção para acabar com as rugas é o tratamento de peelings, uma espécie de esfoliação da pele que é dividido em três categorias: superficial, médio e profundo. A primeira delas, que custa em média de R$ 200 a R$ 250, é indicada para clareamento da pele e rugas superficiais. A segunda, que sai por R$ 500, é voltada para a remoção de manchas (hipercromias) e rugas de média intensidade. Por fim, a terceira é recomendada para rejuvenescer a pele e retirar cicatrizes provocadas pela acne, e não sai por menos de R$ 2.500.
Prevenção pode ser a melhor saída

A afirmação “o sol é o maior vilão do envelhecimento” é dita por qualquer dermatologista preocupado com a saúde da pele. Portanto, evitar exposições intensas aos raios solares é a melhor arma contra o envelhecimento precoce. A recomendação é que as mulheres usem cremes com proteção solar durante o dia, reaplicando a cada 3 horas. Note que o fator de proteção irá variar conforme o tipo de pele. Além do protetor, os especialistas incluem na fórmula a vitamina C, que apresenta propriedades anti-envelhecimento.
A maior novidade na medicina estética é a substância BMAE, apresentada no 60.o Congresso Americano de Dermatologia, realizado em abril desse ano. Ela também pode ser adicionada nas fórmulas dos cremes, combatendo a flacidez na região dos olhos, tendo um efeito parecido ao Botox. Ela também atua no enrigecimento da musculatura da face e do pescoço, elevando o nível de fibras musculares. Mesmo com toda essa popularização, para ter acesso a essas novidades do mercado é preciso desembolsar R$ 80 por um frasco com apenas 30 gramas.