Menor venda de usados compromete compra de imóveis novos, diz Creci-SP

Se morador de uma construção antiga não comercializar sua casa, não terá dinheiro para a aquisição de um lançamento

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SÃO PAULO – O desaquecimento verificado nas vendas de imóveis usados no Estado de São Paulo pode prejudicar, inclusive, a procura por casas e apartamentos recém-lançados. A avaliação é do Creci-SP (Conselho Regional dos Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo), ao comentar que parte dos compradores de novos empreendimentos conseguiram dinheiro para o negócio com a comercialização de suas antigas propriedades.

“Pode haver um entrave no mercado de novos”, afirmou o presidente da entidade, José Augusto Viana Neto. Conforme o executivo, a maior facilidade na liberação de crédito para a compra de lançamentos é responsável pelo mercado secundário ser deixado de lado. “É possível financiar até 100% de um imóvel novo, mas só 80% de um usado”, completou.

Números

De acordo com a Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio), o número de lançamentos na Região Metropolitana de São Paulo aumentou 70% no ano passado, atingindo aproximadamente 56 mil unidades residenciais.

Dados do Creci-SP mostram que, no ano passado, o índice estadual de vendas de imóveis usados foi cresceu 0,64%. Por outro lado, segundo o Secovi-SP (Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo), no acumulado até novembro de 2007 foram comercializadas quase 32 mil unidades, mostrando um crescimento na ordem de 23,5% sobre o mesmo período de 2006.

Publicidade e financiamento

“O mercado secundário está sem visibilidade. Quase 10% do preço que se paga por um lançamento representa investimentos em publicidade”, justificou Viana, lembrando que esse tipo de abordagem aos compradores em potencial não existe para o outro setor.

O presidente do Creci-SP completou afirmando que, por conta desses fatores, o consumidor acaba não dando oportunidade a construções mais antigas, que chegam a custar metade do valor de uma nova, sob as mesmas condições.