Medidas do governo “esfriam” financiamentos para aquisição de veículos

Média diária de concessões da modalidade recuou 13,7%, para R$ 484 mi, após atingir o maior volume da série um mês antes

SÃO PAULO – Os financiamentos para aquisição de veículos registraram arrefecimento em dezembro, em razão, principalmente, das medidas macroprudenciais adotadas no início do mês pelo governo federal.

De acordo com a Nota de Política Monetária e Operações de Crédito do Banco Central, divulgada nesta quarta-feira (26), o financiamento de veículos, cujo saldo atingiu R$ 140,3 bilhões, registrou expansão mensal de 3%, inferior à observada em novembro. Além disso, a média diária de concessões recuou 13,7%, para R$ 484 milhões, após atingir o maior volume da série no mês anterior.

Crédito pessoal
No mesmo sentido, o crédito pessoal, com saldo de R$ 205,7 bilhões, cresceu 0,8% em dezembro, frente a um avanço de 2% em novembro. As concessões médias diárias caíram 16,7%, após elevação de 11% no mês anterior.

“No que diz respeito à evolução ao longo de 2010, o dinamismo dessas modalidades [veículos e crédito pessoal] é evidenciado por expansões de 49,1% e 25,2% nos saldos das respectivas carteiras, bem como pelas concessões, cujas médias diárias cresceram 46,5% e 21,2%, na mesma ordem”, diz o documento de divulgação do BC.

Entenda as medidas do governo
No mês passado, o Banco Central aumentou o fator de risco para a concessão de crédito à pessoa física com prazo igual ou superior a 24 meses. Além disso, o BC elevou o compulsório dos bancos – o que faz com que eles sejam obrigados a ter maiores recursos de reserva para poder emprestar.

Com isso, a oferta de crédito diminuiu e os juros aumentaram. As medidas afetam, principalmente, linhas de crédito de financiamento de veículos. O aumento do compulsório e, por consequência, o encarecimento do crédito se dá nas seguintes situações de concessão de crédito para compra de veículos:

  • Prazo entre 24 e 36 meses: quando o valor da entrada for inferior a 20% do valor do bem.
  • Prazo entre 36 e 48 meses: quando o valor da entrada for inferior a 30% do valor do bem.
  • Prazo entre 48 e 60 meses: quando o valor da entrada for inferior a 40% do valor do bem.