Publicidade
SÃO PAULO – Depois de divulgar nesta segunda-feira uma pesquisa alertando para um possível risco de inflação reprimida em alguns segmentos do varejo, a Fecomércio-SP (Federação de Comércio do Estado de São Paulo) divulgou outra pesquisa sobre a intenção de compra dos paulistanos nos próximos meses.
Como era de se esperar o alto patamar em que se encontra a taxa básica da economia e que acaba encarecendo os financiamentos ao consumidor tem sido o maior entrave para a recuperação das vendas a prazo, sobretudo, as de bens duráveis.
Manutenção dos juros preocupa comércio
Diante disto, a Fecomércio acredita que se o Comitê de Política Monetária (Copom) optar pela manutenção dos juros no patamar atual, as vendas do setor varejista deverão ser ainda mais pressionadas nos próximos meses. No momento a taxa básica da economia (ou Selic) está em 26,5% ao ano, enquanto os juros dos crediários estão em 118% ao ano, ou 6,73% ao mês.
InfoMorning
Informações, análises e recomendações que valem dinheiro
Se considerarmos que o prazo médio de financiamento de um bem é de oito meses, isto significa que na compra de um bem que custe R$ 1 mil o consumidor acaba gastando 68% a mais só com o pagamento de juros. Exatamente por isto não é de se surpreender que o comércio aguarde com ansiedade a decisão do Copom sobre o novo patamar da taxa básica da economia.
A alegação do comércio é de que os altos índices de inadimplência impedem uma redução dos juros cobrados, e que somente a redução da taxa básica permitiria um corte nos juros dos crediários. Entretanto, não há como negar que se o fato da taxa básica da economia estar elevada é um fator negativo, a falta de capacidade do comércio de diferenciar o bom do mau pagador também impede uma redução mais significativa dos juros cobrados.
Maioria pretende evitar compras de duráveis
Assim sendo, será preciso mais do que uma ligeira redução da Selic para que o comércio consiga se recuperar. O último levantamento mensal da Fecomércio sobre a intenção de compra dos consumidores aponta que a grande maioria dos entrevistados, cerca de 53% deles, não pretende comprar nenhum bem durável nos próximos 12 meses. Fazem parte dos chamados bens duráveis os eletrodomésticos, veículos e móveis, que por terem valor mais alto em geral são vendidos através de crediários.
Continua depois da publicidade
No que se refere ao sentimento do consumidor, foi registrada uma ligeira piora, já que em abril um percentual menor, 52% dos entrevistados, alegou não ter intenções de comprar um bem durável nos 12 meses seguintes. Pior ainda é a constatação de que, com exceção de dezembro e janeiro, meses marcados pela insegurança da transição, o percentual de maio é o mais alto apurado desde setembro do ano passado.
Na visão dos técnicos da Fecomércio o que preocupa é o fato do indicador continuar acima de 50%, o que sugere que o desempenho do primeiro semestre inteiro já está comprometido. Dentre os fatores apontados pelos entrevistados como razões para evitar o consumo nos próximos 12 meses estão os juros elevados e a insegurança no mercado de trabalho.
Desempenho no segundo semestre pode ser comprometido
Para o economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Emílio Alfieri, se o Copom optar pela manutenção dos juros o desempenho do comércio no segundo semestre também será afetado. A situação deve ficar particularmente delicada nos meses de julho e agosto, época em que se concentram os reajustes de tarifas indexados com base na variação acumulada do IGP-M de 12 meses.
Continua depois da publicidade
A combinação de juros altos e novos reajustes de preços deve comprimir ainda mais a renda disponível do consumidor, prejudicando mais ainda o desempenho do setor varejista. Alfieri acredita que mais importante do que a magnitude do corte da Selic, é importante que o Copom sinalize sua intenção de baixar os juros, pois só isto pode ajudar a reverter o humor do consumidor.