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SÃO PAULO – Se para o G-5 – o grupo dos países emergentes, que inclui Brasil, China, Índia, México e África do Sul – a inflação dos alimentos é, atualmente, o principal motivo de preocupação, para a cúpula do G-8 – grupo dos sete países ricos (Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e o Canadá), mais a Rússia – são as mudanças climáticas.
No primeiro encontro do G-5 com o G-8, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentou puxar o assunto da inflação dos alimentos. Ele propôs à FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) que fizesse um diagnóstico das causas da escalada de alta nos preços. “Eu sugeri, entre outras coisas, que era preciso que nós tivéssemos não apenas um discurso comum, mas um diagnóstico comum do que está acontecendo hoje no mundo”, relatou Lula durante coletiva de imprensa, segundo a Agência Brasil.
Mas a reunião, que também contou com a participação do primeiro-ministro da Austrália, Kevin Rudd, e dos presidentes da Indonésia, Susilo Bambang Yudhoyono, e da Coréia do Sul, Lee Myung-bak, foi permeada por discussões sobre as mudanças climáticas – originalmente o tema central da cúpula de Hokkaido, no Japão, onde o encontro acontece, nesta quarta-feira (9).
Lula culpa especuladores pela inflação
Como esperado, o presidente brasileiro repetiu o argumento levado à Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, no início deste mês, na Argentina, de que a especulação nos mercados que comercializam safras futuras é uma das principais causas da inflação dos alimentos.
Ele ainda aproveitou a ocasião para isentar de culpa os biocombustíveis. “Os mais precipitados acham que o biocombustível é o responsável, e a gente tem que fazer eles entenderem a toda hora que, com exceção do milho norte-americano, não tem nenhuma novidade na área do biocombustível. O Brasil continua produzindo o que produzia, como produzia, mas se aperfeiçoando”, afirmou.
Petróleo
Lula também se mostrou preocupado com os reflexos da alta do petróleo, que, conforme reiterou, é, assim como os alimentos, objeto de especulação em mercados futuros. Conforme o presidente explicou, no Brasil, o custo da energia representa 30% do custo do alimento e o percentual deve ser ainda maior em países que não produzem petróleo.
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“Aqueles que tiveram a experiência de perder com o subprime americano estão agora utilizando o dinheiro dos fundos para especular com petróleo e alimentos“.
A política de formação de estoques também foi apontada como uma das causas da inflação alimentar atual e de um possível alta dos preços futuramente. “Mostrei aos nossos parceiros do G-13 que, há cinco anos, o mundo está comendo estoque. Se você está comendo estoque e não repõe, um dia haverá escassez”, concluiu.
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