Juro do consignado pode cair mais que 29% ao ano, diz BC

Motivo para comportamento é a concorrência. Apenas para se ter uma idéia, a taxa média anual do crédito ao consumidor é de 44,8% anuais

Publicidade

SÃO PAULO – A taxa de juros do empréstimo consignado – modalidade de empréstimo que garante desconto na folha de pagamento – ainda pode ficar abaixo dos 29% anuais registrados em novembro. A perspectiva foi divulgada na última quarta-feira (26) pelo Banco Central. Apenas para se ter uma idéia, a taxa média anual do crédito ao consumidor é de 44,8%.

O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, afirmou que há espaço para uma redução – não mensurada – apesar de “hoje termos a taxa mais baixa da série”. Desde fevereiro que as taxas médias praticadas apresentam queda.

Concorrência

Essa tendência é resultado de uma maior concorrência entre os bancos: é necessário apresentar custos mais atrativos, a fim de conquistar a clientela. Apenas para se ter uma idéia, no penúltimo mês do ano, a liberação total da modaliade alcançou R$ 63,922 bilhões, o que representa um avanço de 35% frente a novembro de 2006. Com isso, a participação do crédito consignado no total de crédito pessoal subiu de 53,6% para 57% no período.

Além disso, a análise do relatório do Banco Central permite constatar que as linhas de crédito consignado têm impulsionado de maneira significativa a concessão de crédito pessoal e que são mais populares entre os funcionários públicos (87,07% do total concedido em novembro) do que entre os do setor privado.

Garantia

Lopes citou ainda a questão da garantia de pagamento. Pelo fato de as parcelas serem descontadas diretamente do salário do tomador do empréstimo, o risco de inadimplência – que representa metade do spread bancário – é bem pequeno. Por fim, ainda há uma “gama de trabalhadores”, principalmente da iniciativa privada, que está fora desse mercado.

“A expectativa é que venhamos a ter mobilidade entre as modalidades de crédito, ou seja, as famílias saindo de modalidades de crédito a taxas mais elevadas, como por exemplo o cheque especial e migrando para o crédito consignado. De outra parte, aumento de concessão de crédito para novos tomadores”, afirmou à Agência Brasil.