Jatos particulares: para quem não tem tempo (e nem dinheiro) a perder

Primeira feira do Brasil atrai personalidades e empresários que formam o segundo maior mercado do setor no mundo

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SÃO PAULO – Sultões, milionários norte-americanos e membros seletos da corte européia. Eles certamente estão na lista dos potenciais clientes das fabricantes de jatos particulares. Porém, não é apenas neles que essas empresas estão de olho. Atualmente, as grandes companhias, artistas e proprietários de grandes fortunas no Brasil formam o segundo maior mercado mundial para aeronaves de pequeno porte.

Prova disso é que o segundo maior evento do setor no mundo, a Latin American Business Aviation Conference and Exibition (Labace), acabou acontecendo na semana passada no Expo Transamérica em São Paulo. Ao todo, mais de 80 empresas mostravam seus novos tesouros dos ares, causando o maior frisson entre os visitantes – empresários e altos executivos de grandes corporações. No país, a frota de 278 jatos movimenta um total de US$ 300 milhões anuais e a tendência é de crescimento nos próximos anos.

Economia de tempo e dinheiro

Para muitos, ter um desses jatinhos é sinônimo de poder. Mas nem sempre eles são usados por motivos de vaidade. Possuir uma aeronave particular pode significar horas a menos em processos de embarque e desembarque, ou em outras palavras, economia de tempo e dinheiro, fundamental para qualquer executivo de alto escalão.

Não é a toa que artistas com a agenda lotada, e executivos que cobram uma fortuna pela hora de trabalho não dispensam essa mordomia. É mais vantajoso ter um jato particular. É o caso da apresentadora Ana Maria Braga, proprietária de um King Air avaliado em US$ 2,5 milhões. Para quem tem uma renda mensal com mais de sete dígitos, perder algumas horas semanais em check-ins de aeroportos pode ser um verdadeiro desperdício de tempo. E nem é preciso dizer que para eles tempo é dinheiro, muito dinheiro.

A dupla caipira Chitãozinho e Xororó é adepta dos vôos particulares há mais de 10 anos. Mas ao invés de comprarem uma aeronave, preferem ter um contrato de locação exclusiva de um jatinho, que por ano lhes custa o equivalente a quase R$ 4 milhões. A explicação para o aluguel exclusivo (a mesma aeronave e o mesmo piloto ficam a disposição integral dos cantores) está na necessidade de confiança. Para voar, é preciso sentir-se totalmente seguro.

O apresentador Ratinho adquiriu nos últimos anos um Air King avaliado em R$ 2,5 milhões. Ao invés de um jato, Carlos Massa preferiu um turbo-hélice para pousar em pistas de terra, como a de sua fazenda em Mato Grosso. Nesse sentido, sua aeronave sai das estatísticas que coloca o Brasil em segundo lugar na frota de jatos particulares – perdendo apenas para os EUA, com seis mil aeronaves dessa categoria.

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O preço da extravagância

O ex-piloto de Fórmula-1, Nelson Piquet, que esteve na Labace na semana passada, é dono de um Citation 10, que custa em média US$ 14 milhões. Perto de outras preciosidades apresentadas na feira, porém, o avião não impressiona. No aeroporto de Congonhas, onde ficaram as jóias do evento (18 aeronaves avaliadas em US$ 170 milhões), foi apresentado aos ilustres visitantes o Global Express, uma aeronave de US$ 40 milhões.

Fabricado pela canadense Bombardier (famosa pelas brigas na OMC com a concorrente brasileira Embraer), o jato mede quase 15 metros de comprimento e possui espaço para sala de reuniões, de estar, dois banheiros, e ainda um quarto para relaxar. Afinal, com toda a correria dos endinheirados, é preciso aproveitar o céu para tirar uma boa soneca. Só assim para agüentar a vida estressante e agitada de milionário.

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