Intenção de consumo caiu para 59,8% no 3º trimestre

Este é o terceiro recuo consecutivo do índice, que no final do ano passado estava em 72,50%; gasto médio previsto também caiu

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SÃO PAULO – Apesar do recuo da inflação no último mês, a manutenção de juros elevados nas operações de crédito ao consumidor, e a contínua perda de poder aquisitivo da população continuam pressionando o consumo no país.

Pelo menos foi o que constatou a 16ª pesquisa sobre as Expectativas de Consumo da Fundação Instituto Administração (FIA). O estudo analisou as intenções de consumo de 816 paulistanos de todas as faixas de renda durante o mês de junho e foi dividido em duas partes: antes e depois da queda da Selic. Segundo o coordenador da enquete, Luiz Paulo Fávero, o corte na taxa básica não alterou a intenção dos consumidores.

Recuo mais acentuado

A combinação de perda de poder aquisitivo com a manutenção de altas taxas de desemprego estaria desanimando o consumidor a voltar às compras. De acordo com a pesquisa da FIA, no último mês de junho cerca de 59,8% dos entrevistados indicavam intenção de consumir um ou mais bens duráveis ou semi-duráveis neste terceiro trimestre.

Este percentual representa um recuo ainda mais acentuado nas intenções de consumo em relação ao registrado no segundo trimestre, quando 63% dos entrevistados demonstraram intenção de voltar as compras. Isto porque entre o primeiro e o segundo trimestre deste ano, as intenções de consumo já haviam recuado de 65,2% para 63%. No quarto trimestre do ano passado, imediatamente após as eleições, o percentual de consumidores que pretendia voltar às compras era de 72,5%.

Ainda assim houve uma melhora em relação ao registrado no mesmo período do ano passado, quando as incertezas com relação ao processo eleitoral levaram o dólar e a inflação a disparar. No terceiro trimestre de 2002, o percentual de consumidores que pretendiam ir às compras era de apenas 21,90%.

Maioria quer comprar produtos de linha branca

O estudo também analisou o montante de gastos previstos pelos consumidores para o terceiro trimestre por linha de produto. No total foram analisadas as nove categorias de produtos que os consumidores mais desejam consumir, que foram classificadas de acordo com o percentual de consumidores que indicaram intenção de comprar um produto desta categoria.

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No último levantamento, a maior parte dos consumidores indicou interesse em consumir produtos de linha branca, mencionados por 13% dos entrevistados. Em seguida ficaram: eletrônicos (11,3%), informática (11%), cama (10,3%), mesa e banho (10%), móveis (10%), automóveis (9,8%), material de construção (7,6%), foto e ótica (1,2%) e autopeças (0,2%).

A intenção de consumo teria aumentado apenas em duas categorias – eletrônicos e informática – que se beneficiaram da queda do dólar, pois contam com vários componentes importados. Assim sendo, o percentual de consumidores entrevistados que indicou intenção de comprar um eletrônico aumentou de 8,3% para 11,3%, entre o segundo e terceiro trimestre deste ano. Por sua vez, na categoria de informática este percentual teria subido de 8,8% para 11%.

Gasto previsto caiu em quase todas as categorias

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O estudo analisou então os gastos previstos, ajustados pela variação do IPCA nos últimos 12 meses, para cada uma destas nove categorias de produtos. De maneira geral constatou-se uma redução do valor previsto do gasto, com exceção de duas categorias: eletrônicos e automóveis. Nestas duas categorias os gastos previstos aumentaram, respectivamente, 5,94% e 3,04% para R$ 801,08 e R$ 12.553,75.

Por sua vez, os maiores recuos nos gastos previstos ficaram com as categorias autopeças, material de construção e cama, mesa e banho. Nestas três categorias os gastos médios previstos caíram, respectivamente, 87,83%, 45,92% e 44,94%, para R$ 60, R$ 825 e R$ 186.