Publicidade
SÃO PAULO – Ainda que a maioria dos clientes de bancos não sinta os efeitos da greve, há uma grande parcela de prejudicados, principalmente a população de baixa renda, que necessita do trabalho bancário. A opinião é do diretor da Contraf (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro), ligada à CUT (Central Única dos Trabalhadores) Marcel Barros.
Segundo Barros, com a internet e o atendimento através de correios e lotéricas, os clientes dos bancos não sofrem diretamente com a greve. A maioria dos aposentados, que retirava o dinheiro direto no caixa, já possui os cartões da previdência e usa os caixas eletrônicos.
Contudo, para ele, as máquinas não substituem os bancários, que têm o papel de orientar os clientes. Barros comentou, também, que “o público que necessita do trabalho bancário, que são as pessoas de menor renda, é prejudicado”. “Os bancos querem os pobres longe das agências”, disse o sindicalista.
InfoMorning
Informações, análises e recomendações que valem dinheiro
Dia de negociação
Em entrevista à Rádio Nacional, concedida na quarta-feira (15), o diretor da Contraf avaliou como “muito ruim” a proposta enviada pelos bancos para o fim da greve os bancários. Destacou também a necessidade de os representantes dos bancos se sensibilizarem com a situação dos trabalhadores do setor e apresentarem nova proposta para que os bancários voltem ao trabalho.
Nesta quinta-feira (16), representantes do Comando Nacional dos Bancários e da Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) vão sentar à mesa de negociação – é a primeira vez desde o início da greve, no dia 1º de outubro. O encontro ocorre a partir das 10 horas, em São Paulo, e pode definir o rumo da greve.
Segundo o presidente da Contraf, Wagner Freitas, a expectativa é que os bancos levem para o encontro proposta mais favorável que a primeira apresentada no dia 24 de setembro e rejeitada pelos bancários.
Continua depois da publicidade
“Se a Fenaban quer que a greve acabe amanhã, vá à negociação com uma proposta que contemple nossas reivindicações e nós a levaremos à apreciação das assembléias. Se acatarem a proposta, a greve acaba; se não acatarem, continua”, afirmou.
Agências abertas
A assessoria de imprensa da Contraf informa que, atualmente, 5.400 agências em todo o País estão em greve. De acordo com informações da Agência Brasil, os bancários estão obedecendo à lei de greve, de manter 30% dos trabalhadores exercendo suas funções.
Além de serviços nos terminais de auto-atendimento e na internet, lotéricas e correios, há algumas agências abertas e funcionários que abastecem os tribunais.