Gasolina deve subir mais 8,2% até o final de 2002

No entanto a redução de mais de 21% de janeiro deve permitir que os preços do combustível fechem 2002 em baixa de 7,5% frente a dezembro de 2001

Publicidade

SÃO PAULO – Depois da forte redução do preço da gasolina nos meses de janeiro em fevereiro, quando a Petrobras concedeu uma redução de 25% no preço das refinarias, o preço do combustível já foi reajustado duas vezes, no final de fevereiro (+2,2%) e e meados de março (+9,5%) para as refinarias. Já o consumidor arcou com reajustes bem menores de 1,5% e 7,5%, respectivamente.

Depois de tantos reajustes o consumidor já deve estar se acostumando com a nova forma de definição do preço da gasolina, que entrou em vigor desde o dia 1º de janeiro. Com a entrada dos produtos estrangeiros no mercado, o preço do combustível passa a flutuar em linha com o preço do barril do petróleo no mercado internacional ou do câmbio no mercado doméstico.

Gasolina deve fechar 2002 em queda

Diante da constante alta do petróleo no mercado internacional o consumidor precisa preparar o bolso para novos aumentos durante o ano de 2002. Depois de cair cerca de 21,5% nos primeiros dois meses do ano, e subir cerca de 9,10% nos últimos trinta dias, a expectativa é de que a gasolina volte a subir em 2002.

De acordo com o Relatório de Inflação para o mês de março do Banco Central, divulgado nesta quarta-feira (27/03), o preço da gasolina deve subir 8,2% até o final do ano, percentual que já inclui os dois reajustes já concedidos desde o início do ano. Apesar disso, se levarmos em consideração a queda dos preços da gasolina ocorrida no mês de janeiro é possível que os preços da gasolina acabem fechando o ano de 2002 em queda de mais de 7% com relação aos preços praticados em dezembro do ano passado.

Projeções assumem petróleo em US$ 23,30

O grande problema é que as projeções do BC assumem que o preço médio do barril de petróleo fique em U$ 23,30 durante o ano de 2002. Com o barril cotado em cerca de US$ 25,50 e contínua deterioração da situação no Oriente Médio, estas projeções podem acabar se revelando extremamente otimistas. Especialmente se a tendência de recuperação econômica mundial se confirmar e a demanda por petróleo crescer acima do esperado.

Nos EUA, por exemplo, já se verifica um aumento crescente da procura por gasolina, que responde por 45% do consumo de petróleo do país. Se esta tendência se acentuar ou mantiver, e a situação internacional continuar instável é possível que o petróleo se mantenha nos patamares atuais, o que acabaria forçando reajustes ainda maiores no preço da gasolina. Diante desta situação o melhor é preparar o bolso para futuros rombos no orçamento.